Após a Prefeitura de Campo Grande ser comunicada sobre a venda do Consórcio Guaicurus ao grupo HP Mobilidade, de Goiânia, o diretor-presidente da Agereg (Agência de Regulação dos Serviços Delegados), Paulo da Silva, afirmou que não haverá aumento da tarifa do ônibus para os passageiros.
Na manhã desta quinta-feira (23), o diretor da agência responsável por autorizar mudanças no valor do bilhete falou à imprensa: “Não tem mudança de tarifa ao passageiro”, garantiu.
Ao ser questionado sobre a tarifa técnica, que é a diferença do valor pago pelo passageiro e repassado pela Prefeitura, atualmente em R$ 6,57, Paulo disse que somente haverá reajuste se houver investimentos da nova empresa: “É uma situação que pode acontecer. Mas, primeiro, tem que ver o que vão investir. Se vão renovar a frota”, explicou.
O diretor da Agereg disse que existe um valor discutido na Justiça de R$ 7,79, mas que não é autorizado pelo município porque os donos do Consórcio Guaicurus não cumpriram o contrato. “Nosso jurídico barrou, porque o Guaicurus tem 230 ônibus vencidos. Como dá mais dinheiro se não faz a renovação da frota? Eles têm a obrigação de fazer e não fizeram”, pontuou.
O que acontece agora?
A comunicação sobre a intenção de compra é apenas o primeiro passo. Por se tratar de uma concessão de serviço público essencial, a empresa compradora precisa apresentar o plano de trabalho para que a Prefeitura autorize oficialmente o início das operações.
Enquanto isso, os trabalhos de intervenção seguem normalmente. A prefeita Adriane Lopes já adiantou que exigirá a troca dos ônibus sucateados deixados pelos antigos donos do Consórcio Guaicurus, bem como a previsão de melhoria para muitos outros pontos falhos do atual serviço.
Cabe ressaltar que a nova empresa pertence ao grupo HP Mobilidade, que já opera o transporte coletivo em Goiânia e em áreas de Brasília. No entanto, foi criada uma empresa de propósito específico, chamada Maas Administração e Participações Ltda.
Consórcio Guaicurus ‘cai’ após 14 anos de sucateamento dos ônibus

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A venda do Consórcio Guaicurus encerra os quase 14 anos de operação do conglomerado, que ficou marcado por sucatear os ônibus de Campo Grande e entregar um serviço precário, alvo de dezenas de reclamações diárias por parte dos passageiros.
Além disso, a auditoria feita pela intervenção expôs um rombo que passa de R$ 20 milhões nas contas da concessionária.
Desde o ano passado, com a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara dos Vereadores, a situação dos empresários começou a afunilar. A conclusão dos trabalhos e a exposição da situação precária do transporte coletivo — então documentada, mas vista diariamente pela população de Campo Grande há anos — aumentaram a pressão para o lado do Consórcio Guaicurus.
O relatório da CPI mostrou que o conglomerado formado em 2012 para monopolizar o serviço do transporte coletivo da Capital descumpria reiteradamente o contrato de concessão, deixando de renovar a frota e de fazer manutenção, com atrasos constantes, por exemplo. Tudo isso enquanto recebia quantias vultosas para realizar os serviços, além de benefícios fiscais.
Os empresários do Consórcio Guaicurus jogam a culpa no município e insistem na tese de desequilíbrio econômico do contrato para justificar a precariedade do serviço. No entanto, não houve decisão judicial confirmando a tese. Uma perícia homologada pela Justiça, inclusive, revelou que o Consórcio teve lucro de R$ 68 milhões até 2019 e aumento patrimonial.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







