Campo Grande registrou pela primeira vez um ninho ativo de arara-vermelha em sua área urbana. A descoberta foi feita em junho deste ano pelo Instituto Arara Azul, por meio do Projeto Aves Urbanas – Araras na Cidade, que passou a monitorar o casal e acompanhar o desenvolvimento de dois filhotes.
O registro começou após a PMA (Policial Militar Ambiental) avistar as aves e comunicar uma bióloga. Desde então, a equipe realizou 13 visitas ao ninho, incluindo o anilhamento dos filhotes e a instalação de identificadores para permitir o acompanhamento dos animais ao longo do tempo.
Durante o monitoramento, o filhote mais velho deixou o ninho e realizou seu primeiro voo. No entanto, uma forte chuva que atingiu Campo Grande provocou a queda da palmeira onde estava instalado o ninho, deixando o segundo filhote em situação de risco. A ocorrência foi atendida pela PMA no dia 24 de outubro.

O filhote foi resgatado e encaminhado ao Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres). Como estava anilhado, os profissionais conseguiram identificar sua origem e entrar em contato com o Instituto Arara Azul. A equipe realizou o manejo e transferiu a ave para uma palmeira próxima, onde preparou uma abertura no ninho para facilitar o acesso dos pais. Durante o procedimento, os adultos permaneceram nas proximidades acompanhando a movimentação.
Segundo a bióloga Larissa Tinoco, o anilhamento foi fundamental para identificar o animal, conhecer sua origem e agilizar o atendimento. A técnica também permite acompanhar informações como o ano de nascimento, deslocamento e sobrevivência dos indivíduos.
A descoberta surpreendeu a fundadora do Instituto Arara Azul, Neiva Guedes, que há quase quatro décadas estuda a espécie no Pantanal e no Cerrado. Segundo a pesquisadora, as araras-vermelhas costumam ser discretas na escolha dos locais de reprodução, o que torna inédito e significativo o registro em uma cidade com intensa circulação de veículos e presença de redes elétricas e cabeamentos.
Neiva também destaca que a presença das aves em Campo Grande pode indicar que o ambiente urbano oferece condições de abrigo, alimentação e reprodução. Por outro lado, levanta questionamentos sobre a disponibilidade de habitats adequados em áreas naturais.
Participação dos moradores
A comunidade também tem desempenhado papel importante no monitoramento. Após a realocação, o filhote realizou novas tentativas de voo e chegou a cair novamente. Moradores da região acompanharam a situação, registraram imagens e mantiveram contato com a equipe do projeto.
O Instituto Arara Azul destaca que a participação da população é essencial para a ciência cidadã e reforça o pedido para que moradores comuniquem avistamentos de ninhos, filhotes ou situações de risco envolvendo araras-vermelhas e araras-canindés.
Os registros podem ser enviados pelo WhatsApp do instituto: (67) 9940-4063.
Campo Grande possui o título de Capital das Araras, instituído pela Lei Municipal nº 6.567, de março de 2021. O reconhecimento está relacionado ao trabalho de pesquisa, educação ambiental e conservação desenvolvido pelo Instituto Arara Azul há décadas.
A descoberta do ninho reforça a importância da preservação ambiental e da parceria entre pesquisadores, órgãos públicos e moradores para garantir a convivência entre a fauna silvestre e a população em ambientes urbanos.



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(Revisão: Dáfini Lisboa)






