A segunda reunião entre a ACP (Associação Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública) e a Prefeitura de Campo Grande terminou sem acordo sobre o reajuste de 5,4% aos professores, na manhã desta quarta-feira (24). A categoria realizará nova assembleia na quinta-feira (25), às 18h, para deliberar sobre os resultados. A próxima rodada de negociação foi marcada para a próxima quarta-feira (1º de julho).
Segundo o presidente da ACP, Gilvano Bronzoni, o sindicato e a Comissão de Educação da Câmara de Vereadores têm certeza de que a Prefeitura poderá fazer o reajuste de 5,4%. No entanto, a administração ainda não teria encontrado formas de remanejamento das verbas da educação para garantir esse percentual.
O encontro desta quarta (24) ocorreu após a paralisação realizada no dia 12 de junho, que reuniu centenas de profissionais da educação em frente ao Paço Municipal e provocou a suspensão das aulas em todas as escolas da rede municipal. Há dez dias, ocorreu a primeira reunião de negociação, também sem resultados efetivos.
Ao todo, cerca de 112 mil alunos e 8,5 mil professores são impactados por essa discussão. Pelas contas da ACP, o reajuste representaria cerca de R$ 4,5 milhões mensais ao orçamento municipal. O sindicato espera chegar a uma proposta final na próxima reunião com a Prefeitura e cada decisão deve ser validada pela categoria em assembleia geral. Enquanto não há uma resolução, segue a possibilidade de aprovação de greve.
‘Faltam remanejamentos’
Bronzoni considera que o encontro foi bom, apesar de ainda não haver uma proposta concreta para resolução do impasse. “Pelos números apresentados hoje pela Prefeitura, a gente sai muito positivo de que há condições da Prefeitura fazer readequações dentro da verba de educação para apresentar, em mais uma semana, uma proposta concreta dentro dos 5,4%.”
Para isso, será necessário remanejar ou reordenar verbas do orçamento da Semed (Secretaria Municipal de Educação). Conforme Gilvano Bronzoni, não houve fechamento de uma proposta na reunião desta quarta-feira porque, se houvesse uma resolução, ainda não seria pela garantia do reajuste de 5,4%. “Ainda faltam alguns remanejamentos, que serão acompanhados pela Câmara e pela ACP”, diz o sindicalista.
Além de membros da ACP e da administração municipal, os vereadores Wilson Lands (Avante), Professor Juari (PSDB) e Riverton (PP) participaram da reunião. Segundo o presidente da associação, o sindicato e esses vereadores “cobraram” mais dados de setores do orçamento da Educação.
R$ 4,5 milhões
Bronzoni diz que, na reunião do dia 12 de junho, o acordo foi que a Prefeitura iria garantir o reajuste, conforme aprovado em lei. Em contrapartida, a ACP aceitaria que esse recurso fosse retirado das verbas da Educação. “Pela situação financeira que vive Campo Grande, limite prudencial e lei de responsabilidade fiscal”, justifica o sindicalista. Segundo ele, o reajuste representaria cerca de R$ 4,5 milhões mensais no orçamento.
Na noite desta quinta-feira (25), os professores se reúnem outra vez para apreciar os resultados desta reunião. “A decisão da categoria será tomada nessa assembleia sobre os próximos passos, o acompanhamento e toda a estratégia. Inclusive, [sobre] alguma questão de paralisação”, afirma Gilvano Bronzoni.
Para a reunião da próxima quarta-feira (1º), a ACP segue firme na defesa do reajuste de 5,4%, sem parcelamentos. “Tenho certeza de que quarta-feira da semana que vem temos que bater o martelo em uma proposta concreta. É o prazo que a gente tem de limite”, conclui o sindicalista Gilvano Bronzoni.
Entenda o impasse
A Lei 7.523, sancionada em novembro de 2025, instituiu três reajustes aos professores de Campo Grande em 2026. O primeiro, de 2%, ocorreu em janeiro. O segundo garantiria reajuste de 100% da correção anual do Piso Nacional do Magistério, em maio. Já o terceiro deve ser de 3%, em setembro.
Este segundo reajuste é alvo de impasse no momento. Em janeiro deste ano, o Governo Federal editou Medida Provisória, criando o percentual de 5,4% para a correção anual do Piso. Assim, esse seria o percentual de reajuste dos professores de Campo Grande.
Por outro lado, o RGD (Relatório de Gestão Fiscal), da Prefeitura da Capital, mostra que os gastos com pessoal já alcançam 53,97% da receita corrente líquida. O limite prudencial de gastos, de 51,3%, conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal, já teria sido ultrapassado. Campo Grande se aproxima do limite máximo, de 54%.
Na última reunião de negociação, realizada em 15 de junho, o secretário de Governo, Ulisses Rocha, citou um déficit de R$ 138 milhões nas contas da Prefeitura, o que dificulta a garantia de um percentual de reajuste e torna necessárias readequações orçamentárias. Nesta quarta-feira (24), nenhum membro da administração municipal concedeu entrevista ao fim da reunião.
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(Revisão: Nichole Munaro)









