“Nós só vamos atender os pacientes que eles regularem.” Essa é a fala do superintendente hospitalar e gestor temporário da Santa Casa de Campo Grande, Luiz Alberto Kanamura, ao anunciar que vai restringir o atendimento no pronto-socorro adulto e deixar de admitir pacientes que chegarem ao hospital sem encaminhamento da regulação do município ou do Estado.
A medida foi explicada durante coletiva de imprensa nesta quinta-feira (15), um dia após audiência com o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Segundo ele, a Santa Casa foi cobrada pelo Estado e pela Prefeitura para cumprir o fluxo de atendimento definido entre as partes.
A mudança ocorre em meio à crise financeira enfrentada pela instituição e às cobranças dos gestores públicos para que o hospital atenda conforme os serviços contratados pelo SUS.
Segundo o gestor, atualmente, o pronto-socorro adulto atende, em média, 110 pacientes por dia. Com a mudança, quem procurar diretamente o hospital sem ter sido encaminhado pela regulação poderá receber os primeiros cuidados, caso necessário, mas não terá a admissão garantida na unidade. A orientação é que o paciente seja direcionado para o serviço considerado adequado pelo município ou pelo Estado.
Kanamura ressaltou que a Santa Casa não pode negar o primeiro socorro a uma pessoa em situação de risco. Isso, porém, não significa que o hospital será responsável por manter o atendimento até a resolução do caso.
“Fazer um analgésico, tirar o risco de vida… nós não temos como negar socorro”, declarou.
Essa mudança reforça a dependência do fluxo de regulação para o acesso ao hospital, referência em atendimentos de média e alta complexidade em Mato Grosso do Sul.
O superintendente menciona que os casos formalmente classificados como vaga zero não chegam a 20% dos atendimentos, mas explica que nem toda solicitação nessa modalidade corresponde necessariamente a uma emergência identificada pela equipe da Santa Casa.
Acordo em meio à crise
A restrição ocorre enquanto o hospital enfrenta dificuldades para manter serviços e pagar profissionais. Na audiência realizada na quarta-feira (14), o Ministério Público alertou que o novo contrato entre a Santa Casa, a Prefeitura de Campo Grande e o Governo de Mato Grosso do Sul não resolve o desequilíbrio financeiro da instituição.
O acordo prevê aumento de aproximadamente R$ 4 milhões nos repasses mensais, mas, segundo os números apresentados na audiência, o hospital ainda pode acumular déficit operacional de R$ 15 milhões a R$ 19,7 milhões por mês.
Para o MPMS, a renegociação contratual não substitui a necessidade de um plano de recuperação capaz de garantir atendimento contínuo aos pacientes do SUS.
A mudança no pronto-socorro ocorre em um cenário em que a Santa Casa tenta adequar o funcionamento aos recursos e aos serviços pactuados com o poder público, enquanto pacientes dependem da rede pública para conseguir atendimento hospitalar.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








