A Santa Casa de Campo Grande teve o serviço de radioterapia oficialmente descredenciado do SUS (Sistema Único de Saúde), nesta quarta-feira (28). Sem o aparelho necessário, a instituição diz que recebia R$ 250 mil mensais, mas pagava a uma empresa terceirizada para atender os pacientes, na prática. “O hospital optou por sair do arranjo, pois a operação gerava prejuízo“, informa nota da entidade filantrópica.
No entanto, o descredenciamento não muda o atendimento aos pacientes. O HCAA (Hospital de Câncer Alfredo Abrão) informa que já atende à demanda de radioterapia da Santa Casa há mais de dois anos. Os pacientes são regulados e encaminhados pela regulação da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde).
A Santa Casa alega que “precisava pagar exatamente o mesmo valor” (R$ 250 mil) a uma empresa externa, atuando como “intermediária”. O Hospital de Câncer esclarece que, apesar de absorver os pacientes da entidade, não é a empresa externa e nunca recebeu repasses diretos da Santa Casa, sendo todos os pagamentos realizados pela Sesau, conforme a quantidade de procedimentos realizados.
O hospital filantrópico não respondeu qual era a empresa terceirizada nem até quando recebeu e repassou os R$ 250 mil mencionados. O espaço segue aberto para futuras manifestações.
Serviço fechado há 7 anos
A Santa Casa era considerada Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia para radioterapia desde 2011 e não realiza o serviço desde 2019. A formalização do descredenciamento atende ao pedido da Sesau, enviado em 31 de agosto deste ano.
A decisão de descredenciamento consta na Resolução CIB/SES nº 1383, de 23 de outubro de 2026, assinada pelo secretário estadual de Saúde, Maurício Simões Corrêa, e pelo presidente do Cosems (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde), Janssen Portela Galhardo, publicada no Diário Oficial do Estado nesta quarta (28).
A desabilitação já havia sido aprovada pela Resolução nº 124/CIB/SES, de 28 de junho de 2021, publicada em 7 de julho daquele ano. O ato também previa a exclusão do serviço do CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde). A resolução, publicada nesta quarta, revoga a anterior e repete a desabilitação, acrescentando a manutenção expressa da habilitação em hematologia e a definição dos hospitais de referência para radioterapia.
Não houve mudança efetiva
O Humap-UFMS (Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), também apontado como estabelecimento de referência para o atendimento desses pacientes, confirma que não houve mudança efetiva na oferta do serviço.
“Atualmente, o Humap-UFMS e o Hospital de Câncer Alfredo Abrão são os dois serviços que atendem pacientes do SUS em Mato Grosso do Sul com radioterapia. O hospital já recebe pacientes encaminhados pela Santa Casa”, informa nota da unidade de saúde.
Ainda segundo o Hospital Universitário, atualmente, o tempo médio entre a indicação, a inserção na fila do sistema de regulação e o início do atendimento em radioterapia é de aproximadamente 15 dias.
Sem fila no HCAA
Já o HCAA diz que mantém o serviço próprio de radioterapia em funcionamento nos períodos da manhã, tarde e noite. Pacientes são atendidos dentro dos prazos estabelecidos, sem fila interna para o serviço.
Ainda conforme o hospital, os R$ 250 mil foram incorporados à sua contratualização com a Sesau. O hospital explica que a pactuação remunera os atendimentos adicionais realizados, na modalidade extrateto, e não representa um repasse mensal fixo.
Oncologia ativa na Santa Casa
No entanto, a unidade filantrópica continuará habilitada com Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia apenas para a oferta de serviços de hematologia. O encaminhamento dos pacientes para radioterapia obedecerá aos critérios e agendamentos da regulação do SUS.
“Serviços de Oncologia e Hematologia estão atendendo normalmente. Quimioterapia sendo realizada normalmente também”, esclarece a diretora clínica da Santa Casa de Campo Grande, médica Izabela Falcão.
Crise histórica
Este é mais um capítulo da crise histórica da Santa Casa de Campo Grande, que levou até a presidente da instituição à cadeia, em operação contra esquema de corrupção. Com dívida de R$ 40 milhões em salários de médicos, o hospital fechou a cirurgia cardíaca pediátrica e restringiu o atendimento no pronto-socorro apenas para pacientes encaminhados pela regulação municipal ou estadual.
O que diz a Santa Casa?
“A publicação da Secretaria de Estado de Saúde (SES), referente à desabilitação da instituição para realização de radioterapia como Unidade de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON), apenas formaliza uma situação já consolidada desde 2019.
A instituição não realiza serviços de radioterapia há um longo período e, desde então, possui habilitação compatível com sua atual estrutura assistencial, reconhecida pelo Ministério da Saúde. Dessa forma, a medida publicada não altera a prestação dos serviços atualmente oferecidos pela Santa Casa nem impacta o atendimento aos pacientes.
O hospital possuía a habilitação UNACOM para radioterapia, mas não dispunha de um acelerador linear próprio para realizar os procedimentos.
O hospital recebia R$ 250 mil para prestar o serviço, mas precisava pagar exatamente o mesmo valor a uma empresa externa para executá-lo. Essa dinâmica levava o hospital a funcionar apenas como intermediário, sem benefício financeiro direto.
Devido aos custos administrativos e à falta de lucratividade, o hospital optou por sair do arranjo, pois a operação gerava prejuízo na prática. O governo do estado interveio, realizando um acordo para transferir os recursos destinados à radioterapia para o Hospital do Câncer“.
O que diz o Hospital de Câncer?
“O Hospital de Câncer Alfredo Abrão (HCAA) informa que já atende os pacientes de Radioterapia da Santa Casa há mais de dois anos, regulados e encaminhados via Sistema de Regulação da Secretaria Municipal de Saúde (SESAU).
Em relação aos recursos mencionados, trata-se de um acordo administrativo estabelecido há mais de 24 meses, na modalidade de extrateto, ou seja, um acréscimo ao teto de produção conforme os atendimentos efetivamente realizados pelo HCAA. Portanto, não se trata de um repasse fixo mensal ou de um aporte financeiro direto, mas de uma pactuação que possibilita remunerar a produção adicional necessária para absorver essa demanda.
O HCAA mantém o serviço próprio de Radioterapia em funcionamento nos períodos da manhã, tarde e noite, otimizando a utilização de sua estrutura. Atualmente, os pacientes são atendidos dentro dos prazos estabelecidos, sem fila interna para o serviço. O hospital também mantém o atendimento de crianças em Radioterapia.
Paralelamente, a instituição tem buscado parcerias e doações, e investe na ampliação de sua estrutura, como a construção de um novo bunker para abrigar um moderno Acelerador Linear. Esta obra tem previsão de conclusão para o primeiro semestre de 2027. Após a conclusão do bunker, a instalação do equipamento e o cumprimento das etapas técnicas e de segurança, será possível voltar a discutir com os gestores públicos nova ampliação do serviço.
O compromisso do HCAA é continuar oferecendo assistência oncológica de alta qualidade aos pacientes do SUS, com responsabilidade, segurança e humanização.”
💬 Fale com os jornalistas do Midiamax
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o Jornal Midiamax?
🗣️ Envie direto para nossos jornalistas pelo WhatsApp (67) 99207-4330. O sigilo está garantido na lei.
✅ Clique no nome de qualquer uma das plataformas abaixo para nos encontrar nas redes sociais:
Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Bluesky e Threads.
(Revisão: Dáfini Lisboa)






