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Cotidiano

Superprodução de energia renovável leva ONS a adotar medida inédita de contenção

ONS acionou distribuidoras elétricas para que reduzissem geração de energia
Liana Feitosa -
Energia solar e eólica (Foto: Canva).

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) acionou neste domingo (7), pela primeira vez, o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição. Devido às atuais condições climáticas, favoráveis à geração de energia solar e eólica, e ao nível de consumo neste domingo, que não apresenta altos índices, a medida foi necessária.

“Para amanhã [este domingo], o Operador solicitou a redução dos recursos da geração centralizada, que estão sob sua responsabilidade. Esgotada essa providência, foi necessário colocar em prática o Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, aprovado pela Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica]”, disse o órgão.

Diante disso, “o ONS acionou as distribuidoras para que reduzissem geração sob sua área de concessão, uma vez que o Operador não possui controle sobre essas fontes”, completou o Operador.

O que isso significa

A medida significa que as distribuidoras devem reduzir a geração de energia por um período determinado com o objetivo de manter o equilíbrio entre geração e consumo, evitando desligamentos em cascata e instabilidade no fornecimento para a população.

O pedido é feito pelo ONS, com base no plano emergencial que foi estabelecido no ano passado. A medida foi a forma encontrada pelo operador após identificar risco de colapso no sistema elétrico devido à superprodução de energia renovável no país, com geração solar e eólica.

Isso porque a energia gerada pelo vento (eólica) e pelo sol (solar) acarreta sobreoferta em determinados períodos. Conforme o ONS, essa geração está fora da rede básica e não é controlada pelo ONS, no entanto, impacta na operação do sistema elétrico.

A medida afeta a operação de pequenas hidrelétricas e também a mini e microgeração distribuída, modalidade formada por consumidores que geram a própria energia e recebem desconto na conta de luz ao injetar o excedente na rede.

Essa geração está fora da rede básica, não é controlada pelo ONS, mas também impacta na operação do sistema elétrico.

Problema de gestão e desperdício

Para a Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), as medidas do ONS, embora necessárias, são sintomas de um problema estrutural mais profundo.

“A conjuntura deste domingo, com alta irradiação solar combinada à baixa demanda do feriado prolongado, não é uma anomalia: é um cenário previsível, recorrente em países que avançaram com sucesso na transição energética. A diferença é que esses países já se adaptaram a este novo normal, adotando instrumentos de flexibilidade e armazenamento de energia elétrica adequados. O governo brasileiro, por outro lado, ainda não entregou o que o setor elétrico reivindica há anos”, disse a entidade.

Enquanto o crescimento no volume de geração de energia de outras fontes é visto como um avanço, a falta de gestão adequada desses recursos também gera preocupação.

Na visão de Bárbara Rubim, presidente do Conselho de Administração da Absolar, essa é uma conquista estratégica do Brasil e que merece destaque, pois contribuiu de forma decisiva para a diversificação do suprimento elétrico nacional e a redução dos riscos de apagão por falta de chuvas no País.

“No entanto, transições de escala exigem planejamento e infraestrutura compatíveis, capazes de viabilizar a adequada gestão dos recursos disponíveis. É exatamente neste quesito que o Brasil acumula um preocupante déficit”, enfatiza a representante.

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