A tempestade de apenas uma hora acumulou 55,6 milímetros e deixou estragos com vendaval em Campo Grande na segunda-feira (11). No bairro Estrela Park, o telhado de uma oficina foi arrancado e caiu sobre imóveis vizinhos, causando destruição. Moradores da região ainda contam os prejuízos, mas a estimativa é superior a R$ 60 mil.
O telhado foi arrancado por volta de 13h, e as telhas de zinco caíram sobre as casas próximas. Além de telhas, foram destruídos placas solares, aparelhos de ar-condicionado e chaminés de residências. O vento foi tão forte, que as telhas da oficina foram parar do outro lado da Rua Avenida João Garcia Carvalho Filho.
O mecânico Dênis Acuna Echeverria, proprietário da oficina danificada, construiu o telhado há dois anos e pagou R$ 50 mil. “Não tenho orçamento para reconstruir. Vou contar com ajuda para seguir em frente”, lamenta. “Trabalhei a vida toda com apenas o barracão pequeno. Agora vou ter de voltar do jeito que era para reconstruir”, conclui.






‘Parecia um avião caindo’
A esposa de Dênis estava no local quando o vento levou as telhas e foi atingida por destroços. “Duas pedras ainda caíram no escritório e uma acertou a cabeça da minha esposa. Ela levou três pontos, mas está bem”, explica o mecânico. Ele contratou pedreiros para retirar as telhas que estão sobre o teto da casa de vizinhos.
A residência do empresário Wanderley Frangoeli foi uma das atingidas pelas telhas. “Começou uma chuva do nada e um vento muito forte. De repente, esse telhado levantou e caiu sobre o nosso aqui”, relata o homem, que mora lá há 24 anos e nunca viu nada semelhante.
Apesar do prejuízo estimado em R$ 10 mil e do susto, ninguém se machucou na casa de Wanderley. “Parecia um avião caindo em cima da casa, barulho muito grande e assustador.” O empresário acredita que, se o teto da residência não fosse de laje, o estrago seria maior. “Se fosse telhado normal, tinha caído tudo em cima de nós”, conclui.


Alagamentos
A tempestade desta segunda-feira (10) acumulou 55,6 milímetros de chuva entre 13h e 14h em Campo Grande. O volume registrado em apenas uma hora supera em 22,2% a média histórica de agosto na Capital, de 45,5 milímetros, segundo o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima).
A chuva intensa foi suficiente para aumentar o volume de água no Córrego Prosa, que passa pelas avenidas Ricardo Brandão e Fernando Corrêa da Costa. A correnteza quase alcançou a altura da passarela de pedestres.
Além disso, houve alagamento no cruzamento entre a Rua Thyrson de Almeida e a Avenida Rachel de Queiroz, no bairro Aero Rancho. Motoristas ficaram ilhados no trecho, conhecido entre moradores pelos constantes problemas com alagamento em dias de chuva, dificultando a passagem de veículos.
Em outro ponto de Campo Grande, imagens registradas na Rua Dr. Dolor Ferreira de Andrade, região do bairro Cruzeiro, mostram o momento em que a enxurrada derruba uma motocicleta. Na sequência, o proprietário aparece correndo para tentar impedir que o veículo seja levado pela força da água.
A entrada do bairro Coophavila II também ficou alagada. Além de afetar o trânsito na região, a situação ainda causou prejuízo a cerca de dez condutores, que perderam placas de veículos em meio ao volume de água.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








