Após o grupo HP Mobilidade, de Goiânia, informar oficialmente ao município de Campo Grande a compra do Consórcio Guaicurus, ainda faltam outras etapas antes do processo ser concluído oficialmente. A concessionária de ônibus de Campo Grande passa por intervenção desde o dia 16 de junho.
A medida foi decretada pela prefeita Adriane Lopes (PP) para garantir a continuidade da execução dos serviços, diante do caos no transporte deixado pelo Consórcio Guaicurus.
No entanto, a comunicação sobre a intenção de compra é apenas o primeiro passo. Por se tratar de uma concessão de serviço público essencial, a empresa compradora precisa apresentar o plano de trabalho para que a Prefeitura autorize oficialmente o início das operações.
Enquanto isso, os trabalhos de intervenção seguem normalmente. A prefeita Adriane Lopes já adiantou que exigirá a troca dos ônibus sucateados deixados pelos antigos donos do Consórcio Guaicurus, bem como a previsão de melhoria para muitos outros pontos falhos do atual serviço.
Uma das questões levantadas pelos passageiros é em relação ao nome. Cabe ressaltar que a nova empresa pertence ao grupo HP Mobilidade, que já opera o transporte coletivo em Goiânia e em áreas de Brasília. No entanto, foi criada uma empresa de propósito específico chamada Maas Administração e Participações Ltda.
Porém, a mudança de nome também deve passar pelo crivo da Prefeitura. Isso porque há uma concessão pública vigente até 2032. Portanto, a definição de nome e identidade visual dos ônibus será uma discussão entre a empresa compradora e a Prefeitura durante esse processo de transição.
Em nota enviada ao Jornal Midiamax, o interventor-chefe, Aléxandro de Oliveira, confirmou que segue à frente do controle das empresas: “Até que a transferência seja autorizada e efetivamente concluída, a intervenção continuará normalmente, garantindo a continuidade do transporte coletivo.”
Consórcio Guaicurus ‘cai’ após 14 anos de sucateamento dos ônibus

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A venda do Consórcio Guaicurus encerra os quase 14 anos de operação do conglomerado, que ficou marcado por sucatear os ônibus de Campo Grande e entregar um serviço precário, alvo de dezenas de reclamações diárias por parte dos passageiros.
Além disso, a auditoria feita pela intervenção expôs um rombo que passa de R$ 20 milhões nas contas da concessionária.
Desde o ano passado, com a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Câmara dos Vereadores, a situação dos empresários começou a afunilar. A conclusão dos trabalhos e a exposição da situação precária do transporte coletivo — então documentada, mas vista diariamente pela população de Campo Grande há anos — aumentaram a pressão para o lado do Consórcio Guaicurus.
O relatório da CPI mostrou que o conglomerado formado em 2012 para monopolizar o serviço do transporte coletivo da Capital descumpria reiteradamente o contrato de concessão, deixando de renovar a frota e de fazer manutenção, com atrasos constantes, por exemplo. Tudo isso enquanto recebia quantias vultosas para realizar os serviços, além de benefícios fiscais.
A principal consequência sentida pelos campo-grandenses nos anos de descumprimento é o estado crítico dos veículos. Reportagens do Jornal Midiamax mostram que o Consórcio ignorava sistematicamente a renovação obrigatória dos ônibus.
Conforme tabela de 26 de abril deste ano, o Consórcio Guaicurus mantém circulando nas ruas de Campo Grande 12 ônibus fabricados em 2010 — antes mesmo do início das operações da concessionária. Ou seja, veículos com 16 anos de ‘idade’ seguem ativos e causando transtornos diários aos passageiros.
Os empresários do Consórcio Guaicurus jogam a culpa no município e insistem na tese de desequilíbrio econômico do contrato para justificar a precariedade do serviço. No entanto, não houve decisão judicial confirmando a tese. Uma perícia homologada pela Justiça, inclusive, revelou que o Consórcio teve lucro de R$ 68 milhões até 2019 e aumento patrimonial.
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(Revisão: Nichole Munaro)







