Localizada a 35 km do centro de Corumbá, na Morraria do Urucum, encontra-se a Comunidade de Antônio Maria Coelho, onde vivem aproximadamente 35 famílias que sobrevivem da agricultura e do extrativismo da bocaiuva, um fruto muito comum na região do Cerrado e do Pantanal.
Ao redor da comunidade, empreendimentos de hotelaria, balneários, mirantes e estradas com contemplação da fauna e flora pantaneiras atraem a atenção de turistas de todos os lugares. Porém, embora a região seja explorada turisticamente, é outro tipo de atividade que preocupa quem mora ali e que passa desconhecida por muita gente: as empresas de mineração e siderurgia.
As mineradoras começaram a se estabelecer efetivamente em Corumbá no ano de 1906, mas foi no final dos anos 1990 que o controle das minas passou para as gigantes globais. Com as décadas, a presença dessas empresas exerceu forte pressão sobre os pequenos agricultores e intensificou desafios pouco percebidos ou conhecidos por quem não vive na região.
Desde então, a comunidade enfrenta um histórico de precariedade, escassez e impasses relacionados aos impactos da mineração e da siderurgia na região — e um bom, porém lamentável exemplo disso é o abastecimento de água local.
Fotos e vídeos divulgados em massa nas redes sociais nesta quinta-feira (29) evidenciam essa preocupação. Enquanto filma, estarrecido, a água saindo barrenta da mangueira, o morador lamenta: “Incrível, né? Puro minério. Vivemos no minério; daqui a pouco vamos ter que beber minério, além de respirar”.
Outras imagens compartilhadas pela comunidade mostram uma água vermelha, um claro sinal da presença de terra. Em um compilado publicado nas redes sociais, o portal local Fique Sabendo! divulgou um pouco do dilema vivido pela comunidade. Trecho da publicação afirma que o sinal de terra também alerta para “a possível contaminação por rejeitos ou resíduos da atividade mineral”.
Além disso, o texto reforça os transtornos provocados pela exploração de minério na região, que vai além da problemática de contaminação da água. “A poeira invade as casas, cobre os móveis, atinge as plantações e compromete a tranquilidade de quem deveria ter o direito de viver com dignidade”.
Após as denúncias, a reportagem acionou a mineradora apontada como responsável pela possível contaminação. Em nota, a empresa agirmou que “em razão das fortes chuvas na região, a Lhg Mining está ajudando a comunidade de Antônio Maria Coelho, que sofreu impacto devido ao escoamento de água das estradas. A empresa está dando todo o suporte necessário aos moradores e a situação será resolvida com brevidade“.
*Matéria atualizada às 18h08 para acréscimo de nota da LHG Mining.
Confira:
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









