Um policial militar e sua esposa, advogada, foram presos durante a Operação Consorte, deflagrada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), nesta quinta-feira (29).
A operação é referente à terceira fase da Operação Courrier e cumpriu três mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Dourados, além da prisão do policial e da esposa.
O casal é investigado por integrar o PCC (Primeiro Comando da Capital). O militar é suspeito de usar sistemas restritos da segurança para vazar informações sigilosas à companheira, que é advogada. As investigações apontam que o casal estaria envolvido com o núcleo “Sintonia dos Gravatas” — composto por advogados que usam de suas prerrogativas profissionais para transmitir recados e comandos entre lideranças presas e outros integrantes da facção.
Organização criminosa, corrupção e violação de sigilo funcional
De acordo com o Gaeco, o policial é investigado por usar suas credenciais funcionais para obter e disponibilizar informações de sistemas restritos da segurança pública à advogada, que as repassava a faccionados do PCC. Ele é investigado pelos crimes de organização criminosa, corrupção e violação de sigilo funcional.
O cumprimento dos mandados contou com a participação da Corregedoria da Polícia Militar e da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).
“Consorte” remete ao fato de que os investigados são casados e atuam em parceria na empreitada criminosa.
Em março deste ano, o advogado Bruno Ghizzi, o ex-chefe de cartório Rodrigo Pereira da Silva Correa e o detento Edimar da Silva Fonseca, conhecido como ‘Arqueiro’, foram condenados pelo crime de “promoção, constituição, financiamento ou integração de organização criminosa”. O trio foi alvo da Operação Courrier, que investiga a ligação entre advogados e o PCC, a chamada “Sintonia dos Gravatas”.
Informações sigilosas
Com servidores da Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul e até funcionária de empresa de telefonia, o advogado obtinha informações privilegiadas que beneficiavam as ações em que atuava.
Assessor jurídico na Defensoria em MS citado em relatório do Gaeco opinava a respeito de valores cobrados pelo escritório do advogado para prestação de serviços e elaborava documentos e procurações.
Ele também fazia consultas a cadastros públicos, como o CadSUS, sistema interno do local onde trabalha. O servidor não era concursado e, segundo a Defensoria informou à reportagem, foi desligado logo após a Operação Courrier.
Conforme o Gaeco, Bruno também conseguia informações sigilosas de empresas de telefonia celular por meio de uma funcionária do setor administrativo, que, conforme consultado em página pessoal, atua há mais de 10 anos no mesmo local.
Por meio dela, o filho do defensor público de MS conseguia números de telefone e cadastros de pessoas físicas. Outro servidor da Defensoria Pública de MS apontado no relatório do Gaeco fazia consultas ao banco de dados do Detran-MS (Departamento Estadual de Trânsito de MS) para o investigado.
É esclarecido que o advogado, com “auxílio de terceiros, sistematicamente violaria o sigilo de dados de pessoas diversas, no Estado de Mato Grosso do Sul, para atender interesses pessoais”.
Sintonia dos gravatas
A ação, denominada Courrier — correspondência —, cumpriu ao todo 38 mandados judiciais. Conforme o Gaeco, a operação mira o núcleo ‘Sintonia dos Gravatas’, célula em que advogados usam de suas funções para transmitir recados aos faccionados presos, daí o nome da operação.
Ainda de acordo com o Gaeco, o grupo criminoso estaria articulando atentados contra a vida de agentes públicos, entre eles, um promotor do Gaeco e um juiz de Direito de Campo Grande. Garras, Batalhão de Choque, Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e Gisp (Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário) também atuaram na operação.
💬 Fale com os jornalistas do Midiamax
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o Jornal Midiamax?
🗣️ Envie direto para nossos jornalistas pelo WhatsApp (67) 99207-4330. O sigilo está garantido na lei.
✅ Clique no nome de qualquer uma das plataformas abaixo para nos encontrar nas redes sociais:
Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Bluesky e Threads.
(Revisão: Nichole Munaro)






