Duas vezes campeã mundial do salto em distância e medalha de prata nos Jogos de Paris (2024), a paratleta Zileide Cassiano da Silva, de 28 anos, diagnosticada com deficiência intelectual, começou a treinar em uma pista construída pelo pai no condomínio onde morava.
“Nosso condomínio tem uma praça com um gramado e espaço para atividades físicas. Pedi permissão ao síndico, comprei tijolo, cimento e um tipo de borracha que não é a oficial, porque é muito cara, e construí uma pista de 100 m, porque ela poderia treinar salto e corrida”, relembrou Rubens Severino, de 62 anos, pai da esportista, ao jornal Estadão.
O trabalho foi feito em 30 dias e a faixa pode ser vista até por imagens de satélite (procure 21.155118,-47.742839 em sistemas de mapas e geolocalização), destacou o veículo.
A vocação para o esporte surgiu por influência do pai, que já treinava e investia na carreira de outros jovens interessados por futebol.
Zileide acompanhava o pai nas visitas ao clube Cava do Bosque (equipamento público da Prefeitura de Ribeirão Preto) e se interessou pelo futebol, mas não havia equipe feminina. “Primeiro tentamos a ginástica e a natação, mas não funcionou. Então, surgiu o atletismo e ela passou a ganhar tudo na corrida, nos 100 m e nos 200 m”.
A atleta fez parte da seleção brasileira de atletismo, com uma coleção de troféus e medalhas, até que, em 2021, aos 23 anos, por sugestão de um técnico, conheceu o universo paralímpico e migrou para o salto em distância. Não existe prova de 100 m ou 200 m para a classe T20 nos Jogos Paralímpicos, que está centralizada em provas maiores (400 m e 1.500 m) porque há menos impacto da deficiência intelectual na tomada de decisões rápidas e na performance esportiva.
Trajetória de sucesso
No salto em distância, na categoria paralímpica T20, Zileide Cassiano da Silva ganhou medalha de ouro no Mundial de Nova Déli 2025, prata nos Jogos Paralímpicos de Paris 2024, ouro no Mundial de Kobe 2024 e prata no Mundial de Paris 2023. Ela bateu o recorde das Américas em 20 de abril de 2024, durante o Open Internacional de atletismo paralímpico, com a marca de 6,19 m em sua terceira tentativa, ficando a apenas dois centímetros do recorde mundial.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)






