Que o viralizado “vestido que pula” de fato consegue saltar, a gente já viu. Mas o que faz ele ter esse poder? A resposta é mais complexa do que parece: a habilidade saltitante surge da combinação de costura estratégica, tecido adequado e uma estampa que intensifica o efeito.
Com estampas variadas, os “bouncy dress” são feitos principalmente de tecido de malha elástica microplissada, composto por 90% a 95% de poliéster e 5% a 10% de elastano. E grande parte da mágica acontece por causa dessa palavrinha: “microplissada”.
“A primeira vez que vi, imaginei que o movimento se dava pelo corte orgânico e ondulado das listras. De longe, parece ser feito de um material liso; mas, quando você se aproxima, dá para ver que tem microplissados na horizontal. Quando a pessoa pula, essas microdobras se comprimem e depois esticam, criando o efeito de mola em que parece que o vestido está pulando junto, e ele realmente está”, afirma o designer de moda Everton Barbosa.
A construção da costura é tão estratégica que consegue delimitar até onde o vestido é capaz de subir, tudo para evitar que se mostre demais o que está por baixo.
“Uma coisa que achei curiosa é que as dobras horizontais são estratégicas, localizadas apenas na parte da saia. No busto e nas mangas, também há microdobras, mas elas são verticais, por isso essas partes não se movimentam”, explica.
Há versões variadas do vestido, com diferentes estampas. Mas o modelo viralizado ficou famoso justamente por conseguir intensificar o efeito de mola como nenhum outro é capaz.
“Esse movimento ondulado das listras e a variação de cores não é o que proporciona o movimento do vestido, mas facilita com que a gente enxergue. Se fosse uma outra estampa, ainda haveria o movimento, mas veríamos de forma mais sutil”, esclarece Everton.
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Como bom conhecedor da moda, Everton também enxerga o comportamento presente por trás do viral: “Na minha opinião, o que fez o vestido viralizar não é nem o pulo em si, mas a alegria de quem o veste de mostrar isso. As danças, a trilha Sonora, tudo isso é contagiante. Quando vemos o vídeo, também queremos experimentar essa sensação, e é isso que desperta o desejo de ter o vestido”, pontua.
O design original
O vestido viralizou agora, mas não é nenhuma novidade. A primeira versão de um modelo com tensão elástica foi criada pelo designer de moda japonês Issey Miyake, que foi pioneiro na técnica de pregas esculturais permanentes tratadas termicamente no início da década de 1990. No vídeo abaixo, é possível ver modelos de sua coleção Primavera/Verão de 1995:
Com o tempo, a peça foi incorporada na cultura gospel estadunidense, devido à leveza que proporciona conforto e o movimento contagiante que agita os cultos nas igrejas.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









