A exposição “Muito Além do Acorde Final – Ensaios e Versos do Hino Sul-Mato-Grossense” estreia nesta sexta-feira (23), em Campo Grande (MS), e reúne histórias de personalidades que contribuíram para a construção da identidade de Mato Grosso do Sul, incluindo participantes dos concursos de escolha do hino e da bandeira do Estado.
A exposição traz as letras, partituras e o memorial descritivo de hinos que participaram do Concurso Nacional de Símbolos de Mato Grosso do Sul, lançado em 1978, para escolher a bandeira, o brasão e os hinos estaduais.
Os documentos, já catalogados, incluem letras, partituras e memoriais descritivos e serão apresentados ao público na exposição. A iniciativa também prevê o lançamento de um catálogo em 2027, nas comemorações dos 50 anos de criação do Estado.
Natural de Presidente Prudente (SP), o Padre Osmar Bezutte viveu boa parte de sua vida na capital sul-mato-grossense, dedicado à vida salesiana no Estado. Ele foi um dos participantes do concurso e relata que a divisão do assunto foi um assunto de bastante repercussão na época. “A gente vivenciava aquele clima de divisão, porque a imprensa, dentro de nossas casas, nos nossos ambientes, [era muito falada] a questão da divisão do Estado”, relembra.

Inspirado pelo cotidiano da época, Osmar expressa que decidiu compor em homenagem ao recém-criado Mato Grosso do Sul. “Eu estava iniciando a minha experiência com composições; era um padre jovem, de 30 anos. Então, vivenciando toda aquela situação [da divisão do Estado], eu pensei: ‘Por que não?’.”
O evento também contou com a presença de Fábio do Vale, em memória do avô, Dr. Hugo Pereira do Vale, que concorreu na categoria de criação da bandeira e contribuiu com a composição do hino do Estado. Dr. Hugo foi escritor e membro da ASL (Academia Sul-Mato-Grossense de Letras) e é um dos homenageados da noite.
Já Fábio seguiu um caminho parecido e é escritor, membro da ALS e pesquisador do Fundect-MS (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de MS).
Sobre o convite para a solenidade, ele expressou alegria e surpresa pelo reconhecimento das contribuições do avô na construção da identidade do Estado. “Foi uma grande surpresa; foi para a gente um motivo de muita alegria e muita surpresa.”

Memórias enferrujadas
O trabalho de resgate dos documentos foi construído coletivamente pela equipe do Arquivo Público Estadual, a partir de demandas de pesquisadores interessados no concurso nacional dos símbolos de Mato Grosso do Sul. As buscas começaram em 2024 e, durante o levantamento em diferentes acervos, foram encontradas 92 letras concorrentes ao hino, uma quantidade que surpreendeu os pesquisadores.
Segundo o historiador e coordenador do Arquivo Público Estadual, Douglas Alves da Silva, a descoberta também estimulou a chegada de novos materiais. “Foi com muita alegria que encontramos esses trabalhos”, relata.
“Um espaço como um museu, como um arquivo, uma biblioteca, ele depende muito de atender a sociedade, atender a população”, afirma. Muitas famílias guardam documentos que passam de geração em geração, mas parte desse patrimônio acaba sendo descartada”.
“Se você tem algo interessante que fala sobre a criação do Estado de Mato Grosso do Sul, sobre os processos ali da nossa história, da nossa memória, procure o Arquivo Público do Estado de Mato Grosso do Sul. […] Vocês podem ajudar a construir a história do nosso Estado”.
E exposição está aberta ao público até janeiro de 2027, no Memorial de Cultura de MS.
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