Na hora do desespero, todo santo ajuda. Enquanto uns rezam, oram e mantêm pensamentos positivos, outros fazem rituais que já deram muita sorte em dia de jogo, seja para o ‘timão’, seja para a última Copa do Mundo, em 2002, quando o Brasil se tornou pentacampeão.
Há quem diga que as superstições funcionam. Apesar de parecer loucura, a tentativa de influenciar o resultado dentro de campo, ainda que simbolicamente, tem explicações concretas.
Segundo o psicólogo e coordenador do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera, Marco Aurélio Fernandes, o futebol desperta sentimentos intensos de pertencimento, identidade e envolvimento emocional.
“A superstição funciona como uma estratégia psicológica para reduzir a sensação de impotência diante de uma situação incerta. Mesmo sabendo racionalmente que uma camisa ou um lugar específico no sofá não interferem no desempenho dos jogadores, o cérebro encontra conforto na repetição desses comportamentos”, explica o especialista.
Marco Aurélio destaca que o fenômeno não ocorre apenas no esporte. Pessoas costumam criar rituais antes de entrevistas de emprego, provas, apresentações ou qualquer situação considerada importante e potencialmente estressante.
Outro aspecto interessante é que muitas superstições ultrapassam a esfera individual e se transformam em tradições familiares. Há famílias que assistem aos jogos sempre reunidas no mesmo local, reproduzem receitas especiais ou seguem pequenos costumes transmitidos entre gerações.
O psicólogo esclarece que, nesses casos, os rituais assumem um significado ainda mais profundo, funcionando como elementos de conexão afetiva e memória emocional. “Mais do que acreditar em sorte, muitas pessoas utilizam esses comportamentos para reforçar vínculos familiares e criar experiências compartilhadas. O ritual passa a representar pertencimento e identidade coletiva”, explica.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








