Mães de Porto Murtinho usaram as redes sociais para reclamar do novo short distribuído pela Prefeitura às estudantes da rede municipal. O modelo, considerado masculino por algumas famílias, gerou críticas entre os pais.
A situação ganhou ainda mais repercussão após o relato de uma mãe de que a filha teria sido colocada no banheiro da escola para trocar de roupa, sem que ela tivesse sido comunicada ou autorizado a troca.
A mãe, que preferiu não se identificar, contou que decidiu devolver o uniforme recebido pela filha e permitir que ela continuasse usando os próprios shorts para ir à escola.
“O uniforme não é obrigatório usar, a parte de cima sim, mas a parte de baixo não é obrigatório. Eles enviaram para as crianças. Eu olhei, perguntei para minha filha e ela também não gostou. Eu disse: ‘devolve na escola. Fala que a mamãe mandou devolver, que não precisa, que você vai com seus shortinhos normais’. Foi devolvido. Tem mãe que realmente precisa, eu entendo isso.”
Segundo ela, mesmo depois de a família optar por não utilizar o short distribuído pela Prefeitura, a filha teria sido orientada a trocar de roupa na escola.
“Minha filha foi com um short para a escola, não foi curto, e eles a colocaram no banheiro e fizeram ela trocar de short. No dia 17 de setembro teve um professor que está sendo acusado, investigado de abusar de duas crianças numa creche aqui em Porto Murtinho. Eu não acho certo. Se eles não gostaram do short que minha filha foi, eles poderiam ter me ligado: ‘mãe, a gente não gostou, vem pegar ela na escola’, aí eu resolveria na escola.”
A mãe também reclama da comunicação com a escola e da organização no horário de saída dos alunos. Ela ainda afirma que a filha estaria sofrendo comentários de outras crianças por causa do modelo do uniforme.
“As crianças grandes, de 10 e 11 anos, ficam fazendo bullying com as pequenas, porque é um short de menino. E será que a prefeitura não tem condições de fazer short de menina, já que tem vive cheio de evento?”
Revolta nas redes sociais
A mãe também contou que publicou vídeos e críticas nas redes sociais e que uma das postagens ganhou grande repercussão. Em meio à revolta, ela afirma que chegou a jogar o short distribuído pela Prefeitura no lixo.
“Eu como mãe me senti incomodada sim. Meus stories viralizou porque eu joguei o short no lixo. Sim, joguei no lixo. Foi na emoção da raiva, porque eu como mãe não aceito alguém pegar minha filha, trocar minha filha de roupa. Eles deveriam ter me ligado, eu sou responsável da minha filha.”
“Me senti extremamente incomodada, sim, isso não é coisa que se faz com uma criança, fazer a criança sofrer bullying na escola, ser zoada na escola, por conta de um short que não é obrigatório.”
Segundo a mãe, após as publicações, ela teria recebido ameaças que surgiram após uma página regional ter tirado as falas de contexto. “Me ameaçaram, mas, como mãe, só estou defendendo a minha filha. Porque se a gente não defender, quem vai?”

Calor e uso do uniforme
A mãe afirma que o uniforme foi entregue há cerca de 15 dias e que, desde então, decidiu não permitir que a filha utilizasse o short.
“Aqui em Porto Murtinho faz um calor de 40°C, com sensação térmica de 43°C. Não tem como a gente mandar uma criança com uma calça para a escola; a criança vai passar mal; aqui o sol não perdoa, é a cidade mais quente. Mas minha filha não estava indo de short curto, era short de criança.”
“Mas ontem, quando eu fui buscar ela na escola, ela estava com esse short, eu já me incomodei e já falei com uma mulher que estava lá na frente, falei assim, a minha filha não vai usar esse tipo de short, não é um short de menina.”
A mãe diz que o principal incômodo é a decisão de trocar a roupa da filha sem que ela tivesse sido comunicada.
“Você acha que eu tenho que confiar? Ficar em trocando a roupa da minha filha na escola? Não tem como, gente, não tem como. Só se for uma mãe que não se importa com o filho mesmo, não tá nem aí. Mas eu não sou esse tipo de mãe, muito pelo contrário.”
A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação da Prefeitura de Porto Murtinho sobre os relatos, por e-mail e WhatsApp, e aguarda um posicionamento.
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