Em 2026, ainda é exceção ver profissionais sul-mato-grossenses em posições de liderança no circuito de moda nacional. Diante da escassez de oportunidades voltadas para a área em MS, o campo-grandense Tucco Pitanga deixou o reconhecimento local de lado, furou a bolha regional e agora é diretor de comunicação da Caroá Brasil, uma grife baiana que tem se destacado no cenário nacional.
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Ao Jornal Midiamax, o jovem de 20 anos refletiu sobre a dificuldade de trabalhar com moda e arte em Mato Grosso do Sul. Para ele, ainda há uma grande escassez de oportunidades para quem deseja trabalhar fora do circuito sertanejo. Então, foi justamente isso que o incentivou a buscar seu espaço em outros lugares.
“Furar essa bolha é extremamente difícil. É quase como nadar contra a maré dentro de um estado onde ainda existe uma concentração muito grande de investimento em determinados segmentos. Quantos shows sertanejos nós vemos acontecendo e quantos desfiles de moda, exposições de fotografia e arte temos? Não digo isso para diminuir o sertanejo, mas para questionar: onde estão os outros artistas? […] Chegou um momento em que eu estava sem trabalhos dentro da moda do meu próprio estado e precisei transformar essa frustração em movimento. Entendi que não precisava esperar uma validação local para entender o tamanho do meu trabalho”, disse ele.
Agora, à frente da comunicação de uma marca baiana, Tucco enxerga a moda como um resgate de memória e ancestralidade. Aliás, ele afirma que as conexões culturais entre BA e MS são mais próximas do que se possa pensar.
“Quando penso nas trançadeiras da Bahia, imediatamente estabeleço uma conversa com os trançados produzidos por mulheres indígenas em Mato Grosso do Sul. São territórios diferentes, mas que compartilham experiências de resistência. Essa parceria mostra que é possível conversar com o Brasil diretamente, sem precisar passar pelo filtro do eixo tradicional”, continuou.
Por fim, o campo-grandense reforçou a importância dos profissionais criativos de Mato Grosso do Sul confiarem no próprio trabalho — ainda que o mercado regional seja difícil.
“Confie na sua intuição e não tenha medo de ser grande. Não permita que a falta de reconhecimento dentro do nosso próprio estado determine o tamanho que você pode alcançar. As portas fechadas fazem parte do processo — eu mesmo precisei transformar algumas delas em combustível. Não espere que alguém diga que você é grande para começar a agir como alguém que sabe o tamanho que tem”, completou.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)





