A celebração do Ano Novo Andino iniciou uma pausa nos protestos com um retorno lento à normalidade na Bolívia, após a declaração de estado de emergência que pôs fim a mais de 50 dias de bloqueios de estradas que isolaram La Paz e outras regiões.
Os bloqueios de estradas antigovernamentais estão sendo levantados aos poucos desde sábado (20), quando o presidente Rodrigo Paz declarou estado de emergência em todo o país. A crise social e a falta de combustível não interromperam a tradição do Ano Novo, mas reduziram a participação.
Milhares de bolivianos foram na madrugada do domingo às montanhas circundantes e mirantes em La Paz para receber com as mãos levantadas os primeiros raios de sol que, segundo a cosmovisão andina, chegam carregados de energia cósmica, uma celebração que remonta aos antigos povos pré-hispânicos e que coincide com o solstício de inverno no Hemisfério Sul.
Um dos maiores sindicatos rurais que protagonizou os bloqueios de estradas que sufocavam La Paz chamou na véspera para uma pausa no conflito e ordenou a retirada dos mobilizados até a próxima semana para analisar a situação após a declaração de Rodrigo Paz. A pausa também permitirá participar da celebração, diz um comunicado da organização.
Decreto
Pouco antes da celebração na madrugada de domingo, a Assembleia Legislativa ratificou por maioria o decreto que declarou o estado de emergência.
Apenas o sindicato cocalero, alinhado ao ex-presidente Evo Morales (2006-2019), permanece em protesto, a quem o governo acusa de instigar e financiar as mobilizações para conseguir “impunidade”, segundo as autoridades, de uma investigação judicial por suposto abuso de uma menor quando era mandatário.
O político de 66 anos vive entrincheirado em seu reduto cocalero do Chapare desde 2024 e se recusou a comparecer perante a justiça.
As forças de ordem, que desde sábado desobstruem as rotas, não entraram no Chapare, onde, no domingo, persistiam os bloqueios. Os sindicatos cocaleros mantêm o controle dessa região, onde também operam máfias ligadas ao narcotráfico, segundo o governo e a polícia.
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