Uma advogada de 36 anos solicitou junto à Polícia Civil a abertura de um inquérito policial, em Campo Grande, contra o ex-companheiro de 35 anos, servidor do MPMS (Ministério Público Estadual), alegando tentativa de feminicídio. Segundo a mulher, o casal teve uma briga em março de 2025, ocasião em que ela teria caído do veículo quando o companheiro arrancou com o carro.
Ao Jornal Midiamax, a advogada garante que o companheiro sabia que ela já estava com os pés para fora do carro e mesmo assim teria acelerado e arrancado com o veículo, causando a queda. A advogada registrou boletim de ocorrência nesta terça-feira (18) e o caso foi lavrado como lesão corporal e perseguição. Mas o caso aconteceu em março de 2025.
Conforme documento ao qual o Jornal Midiamax teve acesso, a advogada solicitou a instauração de um inquérito policial, pedindo a abertura de uma investigação formal, visando apurar a infração penal. Ela também solicitou medidas protetivas de urgência, proibindo aproximação ou contato por parte do ex-companheiro.
A petição também será encaminhada ao Ministério Público para manifestação do órgão.
A briga
Em março de 2025, a advogada conta que desconfiou, em determinada situação, que o ex-companheiro estivesse em uma relação extraconjugal. Ela decidiu confrontá-lo. Na ocasião, o autor participava da entrega de refeições beneficentes e a advogada decidiu acompanhá-lo. Em determinado momento das entregas, ela expôs a desconfiança e exigiu que ele se explicasse.
O homem negou as acusações e ela pediu que ele parasse o veículo para que pudessem conversar. Então, ela teria insistido várias vezes e o ex-companheiro não teria atendido ao pedido.
Porém, em uma das paradas para a entrega das refeições, a advogada conta que pegou o celular do ex-companheiro, mas ele teria tentado retirar o aparelho das mãos dela, gerando uma luta corporal.
Ela teria tentado descer do veículo, mas ao colocar os pés para fora do carro, na tentativa de descer e mexer nas conversas de aplicativo de mensagem, o ex-companheiro, mesmo tendo visto que ela estava com os pés para fora, teria arrancado com o carro e a advogada teria caído na rua.
Ao Midimax, ela conta que o casal ficou 10 anos juntos e que tinha uma união estável. “Podia ter sido pior do que foi. Eu podia ter batido a cabeça na calçada. Eu fiz tratamento psicológico para aceitar a situação que vivenciei”.
De acordo com a petição elaborada pelo advogado da mulher, “embora o episódio tenha inicialmente permanecido restrito à esfera privada da vítima, seus desdobramentos físicos e psicológicos, somados aos acontecimentos posteriores e à situação atual de insegurança relatada por (…), justificam que os fatos sejam formalmente submetidos à autoridade policial para apuração”.
A advogada conta que teve receio por muito tempo, quis resolver as coisas extrajudicialmente e por isso só agora registrou Boletim de Ocorrência.
Além da briga que culminou com a separação do casal, a mulher diz que recentemente o ex teria tentado invadir as câmeras de segurança da residência e que veículos iguais aos dos familiares dele estariam transitando com frequência em torno da casa dela.
Ela diz acreditar na condenação do ex-companheiro. “Em nenhum momento houve uma preocupação, poderia ter acontecido o pior”.
A reportagem do Jornal Midiamax tentou contato com o ex-companheiro da advogada, mas não obteve resposta até a divulgação da matéria. Porém, salientamos que estamos abertos a possíveis esclarecimentos por parte do ex-companheiro.
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