Uma moradora da Vila Nova Capital, em Campo Grande, denuncia viver uma rotina de medo após sucessivos ataques de um pit bull que, segundo ela, pertence a um vizinho. O caso mais recente ocorreu no último domingo (26), quando o cão teria invadido novamente o quintal da residência e atacado o cachorro da família, que ficou gravemente ferido e corre o risco de perder um dos olhos.
A tutora do animal, Anjuelita, de 31 anos, afirma que os ataques acontecem desde o ano passado, mas que nem sempre conseguiu reunir provas para registrar as ocorrências.
“Ele costuma pular no meu quintal entre 6h e 8h da manhã. Meu cachorro é vira-lata e protege a casa e meus filhos. É por isso que o pit bull vem para cima dele. Isso tem me angustiado muito”, relata.
Segundo ela, no ataque de domingo, o marido ouviu os latidos e verificou pelas câmeras de segurança que o pit bull havia invadido novamente o imóvel.
“Quando abri a porta, meu cachorro correu para a casinha. Meu marido teve que bater no pit bull para ele soltar. O pit bull mordeu o olho do meu cachorro, arrastou ele pela cabeça, e ele ficou sem respirar por alguns segundos. Achei que ele tinha morrido.”
Após conseguir separar os animais, a família levou o cachorro, chamado Boca Negra, ao veterinário. “Foi dito ao meu marido que seria necessário retirar o olho dele. O procedimento custaria em torno de R$ 2 mil. Como não temos condições financeiras e os donos do pit bull não ofereceram qualquer ajuda, decidimos tratá-lo em casa com antibióticos.”
Apesar da melhora dos ferimentos, Anjuelita afirma que o animal ficou com sequelas. “O olho dele ficou danificado. Ele mudou completamente, não late mais e fica deitado o tempo todo. Não sei se meu cachorro vai voltar a ser quem era.”
Conforme boletim de ocorrência registrado na 4ª Delegacia de Polícia Civil em 16 de junho, Anjuelita já havia denunciado que o mesmo pit bull pulou a cerca da residência e atacou um dos cães da família. Na ocasião, o caso foi registrado como omissão de cautela na guarda ou condução de animais, prevista no artigo 31 do Decreto-Lei nº 3.688/1941.
Segundo a moradora, ela informou às autoridades que aquela era a segunda vez que conseguia comprovar o ataque, embora episódios semelhantes já tivessem ocorrido anteriormente.
Além dos prejuízos causados aos animais, Anjuelita afirma que vive preocupada com a segurança dos três filhos e da sogra, que é idosa.
“Meus filhos não podem brincar no fundo do quintal porque tenho medo do pit bull pular a cerca. Eu e meu marido praticamente não conseguimos dormir. Ficamos olhando nas câmeras para ver se ele não entrou de novo.”
Ela também afirma que o cachorro já teria atacado outras pessoas, animais da vizinhança e até moradores em situação de rua.
Denúncia ao CCZ
Após o novo ataque, Anjuelita procurou o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses). Segundo ela, foi orientada a registrar uma denúncia formal e recebeu um protocolo de atendimento. O órgão informou que possui prazo de até 30 dias para enviar uma equipe ao local, que irá analisar as condições em que o pit bull é mantido e avaliar a situação denunciada.
A moradora afirma, ainda, que incentivou outros vizinhos que relataram ataques envolvendo o mesmo animal a registrarem denúncias no CCZ.
Anjuelita acredita que o próprio pit bull possa estar sendo submetido a maus-tratos.
“Eles deixam o cachorro preso dentro de um quarto por muito tempo. Não passeiam com ele nem usam focinheira quando o animal sai. Na minha visão, ele também sofre maus-tratos. Um cachorro desse porte não pode viver nessas condições.”
Segundo ela, os vizinhos também foram avisados sobre pedras encostadas no muro da residência, que facilitariam o acesso do pit bull ao quintal da família, mas nenhuma providência teria sido adotada.
Até o momento, conforme a tutora, os responsáveis pelo pit bull não procuraram a família para oferecer ajuda com o tratamento do cachorro ferido nem prestaram esclarecimentos sobre os ataques.
A reportagem do Midiamax entrou em contato com o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) para saber quais providências serão adotadas após a denúncia e aguarda retorno.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









