A Aspra/MS (Associação dos Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul) se manifestou na tarde desta quinta-feira (25) em relação à soltura de dois sargentos da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) que estavam presos desde o começo de abril. Ambos são apontados por estarem envolvidos em uma abordagem truculenta, no entanto, um deles foi reconhecido pela vítima somente pelo fato de “ter bigode”.
O sargento “de bigode” foi apontado como suspeito de ter participado da abordagem truculenta do TOR (Tático Ostensivo Rodoviário) em Ponta Porã, a 295 km de Campo Grande, no dia 18 de setembro do ano passado. Na ocasião, o abordado era um servidor público de Brasília (DF).
O servidor teria vindo a MS na tentativa de “recuperar um maquinário que havia sido furtado no DF”. No entanto, durante o retorno, foi abordado pela equipe. Ele relatou que os policiais teriam mandado que ele saísse do veículo e se ajoelhasse, inclusive colocando uma arma em sua cabeça.
Durante as investigações, quatro militares foram identificados, mas, até então, o nome do sargento preso após o reconhecimento pelo bigode não teria sido mencionado no processo. Por falta de provas concretas, o MPMS solicitou o arquivamento do caso.
No entanto, o processo ganhou novos caminhos. Isso porque, após o arquivamento, o servidor teria recebido algumas mensagens ameaçadoras. Com isso, o processo foi reaberto e dois sargentos foram presos, incluindo o que é considerado inocente pela associação.
Na ocasião da prisão, a Aspra se manifestou afirmando que o sargento de bigode não fazia parte da abordagem e estaria preso indevidamente. Assim, após cerca de 84 dias de prisão, os militares foram soltos do PME (Presídio Militar Estadual).
Agora, um dia após a soltura, a Aspra novamente se manifestou em relação às prisões. “A decisão judicial reconheceu que o procedimento de reconhecimento não possuía a segurança necessária para justificar a manutenção da prisão preventiva, destacando a ausência de um reconhecimento positivo e inequívoco por parte da suposta vítima”, diz trecho da nota.
Para a associação que desde o início se manifestou contrária à prisão, especialmente pelo reconhecimento fotográfico do sargento ‘de bigode’, a soltura representa o início da reparação de uma injustiça.
“A ASPRA-MS reafirma que atuou de forma firme e responsável na defesa institucional dos seus associados, acompanhando o caso e defendendo o respeito à legalidade, à presunção de Inocência e ao devido processo legal”, pontua outro trecho da nota.
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