O médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, acusado do feminicídio da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, foi denunciado pelo MPMS (Ministério Público Estadual) pela morte da fisioterapeuta e por mais três crimes. João Jazbik foi solto na tarde do dia 20 deste mês, após a análise do habeas corpus, em Campo Grande.
Conforme a denúncia do MPMS, o denunciado João Jazbik Neto cometeu os crimes de posse irregular de arma de fogo de uso permitido e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. “Por fim, nas condições já acima delineadas, os denunciados JOÃO JAZBIK NETO, ELODIR HOFMANN e GEOVANE GARCIA ABBEGG, em comunhão de esforços e unidade de desígnios, inovaram artificiosamente o estado d o local e das coisas nele existentes, mediante a retirada e ocultação d e um armário contendo diversas armas d munições, e d e uma arma de fogo d e cano longo, d e fogo e o cômodo onde ocorreu o crime, c om o fim de induzir a erro a perícia e dificultar a investigação criminal.”, diz parte da denúncia.
A denúncia ainda traz que o relacionamento do médico com a fisioterapeuta era marcado por controle e inclusive por violência psicológica. “A perícia realizada n o local constatou q ocorreram, havia indícios d e que u ue no cômodo onde o s fatos m móvel teria sido arrastado e retirado de sua posição original, tendo sido posteriormente localizado em outra casa da propriedade, contendo em seu interior as armas de fogo apreendidas nos autos.”, traz a denúncia.
Laudo apontou feminicídio
O laudo necroscópico concluiu que a causa da morte de Fabíola foi traumatismo crânioencefálico por ação perfuro-contundente e o laudo pericial no local do crime concluiu que ocorreu feminicídio. “Ressalta-se que o feminicídio em relação à vítima Fabíola ocorreu em razão da condição do gênero feminino, consistente em violência doméstica e familiar.”, diz a denúncia.
“O denunciado praticou o crime mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, pois, segundo a dinâmica reconstruída a partir dos vestígios periciais, a vítima foi inicialmente atingida por golpe que a fez cair de joelhos; vindo a cair ao solo, em seguida, sofreu novo golpe, que lhe reduziu significativamente a capacidade de reação. Posteriormente, já caída, teve a cabeça levantada e foi atingida pelo disparo fatal.”, fala trecho da denúncia.
O médico foi denunciado pelo feminicídio com agravante que dificultou a defesa da vítima, fraude processual e uso de arma de uso restrito.
A família de Fabíola sempre negou que ela tenha atentado contra a própria vida.
Relembre
Fabíola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, uma propriedade na Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A mulher morava com o marido quando foi encontrada sem vida no dia 18 de maio deste ano. Na ocasião, o médico chegou a acionar a polícia e alegou que a esposa teria cometido suicídio.
Ao chegarem ao local, os militares encontraram o marido da vítima e equipes do Corpo de Bombeiros, que já haviam constatado o óbito. Aos policiais, o médico disse que a esposa fez atividades de rotina matinal e, em determinado momento, foi para o andar superior da casa, onde fica o quarto do casal.
Na ocasião, o médico contou ter estranhado a demora de Fabíola e decidiu subir para verificar a situação. Quando chegou, alegou ter encontrado a porta do quarto fechada. Ele bateu à porta, mas não foi respondido.
Em seguida, o cardiologista desceu até a cozinha e ligou para Fabíola, mas ela não atendeu. Pouco tempo depois, ele disse ter ouvido um disparo de arma de fogo e retornou ao andar superior, momento em que viu a porta do quarto aberta e a companheira caída ao chão. Ele não soube precisar o horário exato.
Segundo o registro policial, o médico acionou seu ex-caseiro, que chegou ao imóvel pelos fundos. Logo, ele e os atuais caseiros foram até o quarto e acionaram o 190.
📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
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⚠️ Quando a Polícia Civil atua com negligência, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.








