O médico João Jazbik Neto, acusado de matar a esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, deve receber melhores acomodações ao retornar para o presídio, conforme decisão do juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri.
Isso porque Jazbik está internado em hospital particular após passar por cirurgia de cateterismo. A Justiça já havia negado a prisão domiciliar, mas garantiu que ele volte em melhores condições na prisão após receber alta.
“Ante o exposto, após João Jazbik Neto receber alta — o que significa um bom sinal de restabelecimento da saúde —, deverá retornar ao presídio. Todavia, a Agepen deverá colocá-lo nas melhores dependências que possuir, até porque lhe assegura prisão especial, como foi feito com o ex-governador, ex-deputado federal, etc., por muito tempo, permitindo acompanhamento e prescrições médicas particulares em caráter principal ou complementar enquanto prossegue a instrução com vistas a saber se houve suicídio ou feminicídio dentro de um prazo razoável”, diz a decisão.
O cardiologista foi preso três vezes, sendo a última prisão em setembro deste ano. Fabíola morreu com um tiro na cabeça em maio deste ano, no bairro Chácara dos Poderes. O médico chegou a acionar a polícia no dia e alegou que a esposa teria cometido suicídio. Desde o ocorrido, ele nega a autoria da morte.
Em setembro, o cardiologista teve o pedido liminar de habeas corpus negado pelo ministro Rogério Schietti Cruz, do STJ (Superior Tribunal de Justiça). No dia 16 de outubro, foi apresentado um pedido de prisão domiciliar humanitária, no qual a defesa informou que o cliente passou por um cateterismo cardíaco no dia 14 deste mês, ocasião em que foram constatadas lesões coronárias graves, inclusive no principal vaso do coração.
A defesa apresentou um relatório da evolução médica da internação. O assistente de acusação forneceu impugnação, pedindo o indeferimento. O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) se manifestou contra o pedido de prisão domiciliar.
O juiz remarcou as audiências, determinando que as testemunhas de acusação sejam ouvidas no dia 5 de novembro e as de defesa no dia 12. Após os depoimentos das testemunhas, o acusado será interrogado. Caso ainda esteja internado até o dia 5, o acusado poderá acompanhar a instrução por videoconferência.
Prisão de cardiologista por feminicídio
João foi preso na tarde de 3 de setembro por uma equipe da 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). Foi a terceira vez que o cardiologista voltou para a cadeia.
Em sua chegada à delegacia, ele negou a autoria da morte e culpou o irmão de Fabíola. “Eu não matei a Fabíola; eu vivia com ela em lua de mel e a família dela sabe”, falou o médico. Ao sair da especializada para ser encaminhado ao Garras (Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros), Jazbik culpou novamente o irmão da vítima e voltou a negar a autoria da morte.
“Eu não matei a Fabíola. O episódio que aconteceu com a Fabíola, eu acho que foi um problema do irmão dela ser inimigo da família. A mãe dela tinha um aneurisma de barriga; ele veio de São Paulo de mão aberta e falou: ‘Eu vou cuidar disso’. Levou dois dias operando, foi para o CTI e morreu”, disse João, com exclusividade, ao Jornal Midiamax.
Relembre o caso
Fabíola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, uma propriedade no bairro Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A mulher morava com o marido quando foi encontrada sem vida, no dia 18 de maio deste ano. Na ocasião, o médico chegou a acionar a polícia e alegou que a esposa teria cometido suicídio.
Ao chegarem ao local, os militares encontraram o marido da vítima e equipes do Corpo de Bombeiros, que já haviam constatado o óbito. Aos policiais, o médico disse que a esposa fez atividades de rotina matinal e, em determinado momento, foi para o andar superior da casa, onde fica o quarto do casal.
Na ocasião, o médico contou ter estranhado a demora de Fabíola e decidiu subir para verificar a situação. Quando chegou, alegou ter encontrado a porta do quarto fechada. Ele bateu à porta, mas não foi respondido.
Em seguida, o cardiologista desceu até a cozinha e ligou para Fabíola, mas ela não atendeu. Pouco tempo depois, ele disse ter ouvido um disparo de arma de fogo e retornou ao andar superior, momento em que viu a porta do quarto aberta e a companheira caída ao chão. Ele não soube precisar o horário exato.
Segundo o registro policial, o médico acionou seu ex-caseiro, que chegou ao imóvel pelos fundos. Logo, ele e os atuais caseiros foram até o quarto e acionaram o 190.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









