Em meio à dor provocada pelo luto, poucos dias após ter a mãe assassinada dentro da própria loja, Frank Rossatte da Cunha Barbosa, de 39 anos, decidiu reabrir as portas do comércio de aviamentos e cosméticos e retomar a rotina interrompida pela tragédia ocorrida há uma semana, quando a costureira e empresária Vera Lucia Rossate da Cunha foi morta pelo irmão.
O crime aconteceu no último dia 16. A empresária estava trabalhando, no momento em que foi surpreendida pelo irmão Judicrei Rossate da Cunha. Ele chegou ao local, atirou contra ela e, em seguida, atentou contra a própria vida. Além dos familiares, a tragédia abalou a vizinhança na Rua Sagarana, no bairro Zé Pereira, em Campo Grande.
Vera era conhecida por moradores e comerciantes do bairro. Há mais de uma década, ela mantinha a única loja de aviamentos da região. O comércio era um sonho concretizado, mas que exigiu anos de dedicação e investimento.
“Minha mãe começou comprando aviamentos aos poucos para atender a clientela que trazia as roupas, mas tinha que ir ao Centro da cidade para comprar os aviamentos. Ela viu a necessidade de ter algo assim no bairro e decidiu investir. Foram anos de investimentos e eu não poderia, simplesmente, deixar e jogar todo o esforço da minha mãe”, explica o filho.

Frank também conta que a decisão de reabrir a loja foi tomada com o consentimento do irmão, que mantém uma barbearia a poucas quadras de distância.
“Eu e meu irmão conversamos e decidimos que seria melhor eu continuar com o negócio, mas foi difícil. Demoramos cinco dias até retornar. Fechamos por alguns dias, limpamos e fizemos algumas pequenas mudanças, mas não tem como não lembrar dela aqui”, frisa.
A reabertura da loja recebeu o apoio de comerciantes vizinhos e também da clientela, que retornou à loja. “Não poderia deixar tantas pessoas desassistidas”, frisa. Amiga da maioria dos clientes, Vera vendia na confiança, sem qualquer anotação. O filho só teve dimensão do carinho conquistado pela mãe quando foi procurado para receber créditos, que ele não sabia que existiam.
“Muita gente me procurou para me pagar, porque tinham débitos que eu não sabia que existia e que eu jamais saberia. A minha mãe conhecia bem os clientes, então, ela nem sequer anotava. Eu não saberia que tinha dinheiro para receber se esses clientes não tivessem me procurado para pagar. Isso é tão Bonito, porque mostra o legado que ela deixou, o resultado de todo o esforço, do bom atendimento e da forma carinhosa com que ela tratava todos”, observa.

Relembre o caso
A empresária Vera Lucia Rossate da Cunha foi morta com um tiro na cabeça. O disparo foi efetuado pelo irmão dela, Judicrei Rossate da Cunha. Após o crime, o autor tirou a própria vida. O crime foi gravado por câmeras internas de segurança. As imagens foram repassadas à Polícia e não foram divulgadas.
O caso foi registrado na 1ª Deam (Primeira Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher). Vera é a 27ª vítima de feminicídio registrada em Mato Grosso do Sul neste ano.
À imprensa, a polícia confirmou que a principal suspeita é de que o crime tenha sido motivado por vingança, uma vez que a família internou o autor compulsoriamente em uma clínica de reabilitação. Desde então, Judicrei culpava a irmã e prometia se vingar.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)







