Vera Lucia Rossate da Cunha é a 27ª vítima de feminicídio registrada em Mato Grosso do Sul neste ano. A comerciante de aviamentos e cosméticos na Rua Sagarana, no bairro Zé Pereira, foi morta na tarde desta quarta-feira (16), dentro do próprio estabelecimento. O autor foi o seu irmão, Judicrei Rossate da Cunha, que tirou a própria vida após o crime.
Apesar de não terem sido divulgadas, a delegada adjunta da 1ª Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Analu Ferraz, afirmou que câmeras de segurança instaladas na parte interna da loja registraram o feminicídio seguido de suicídio.
As imagens são claras e mostram Judicrei entrando, portando a arma de calibre .38, na sequência, atirando contra a própria irmã.
“As imagens estão com a gente e não serão divulgadas porque mostram toda a cena do crime. Era uma arma dele; ele chegou com a arma, sacou e já atirou nela e logo em seguida nele”, pontuou.

Ainda no começo da tarde, vizinhos relataram à reportagem do Jornal Midiamax que o suspeito teria prometido vingança contra a família após ser internado compulsoriamente. A delegada confirmou que Judcriei culpava Vera por tal internação.
“Já faz tempo que ele teve alta, mas ele culpava a irmã dele por conta disso. A princípio, a gente ainda vai ouvir as testemunhas para ter mais informações”, disse.
Vera não havia registrado nenhum boletim de ocorrência junto à polícia contra o irmão. Segundo a delegada, ele também não tinha registros de passagens por violência doméstica.

Encontrados mortos
Judicrei Rossatte e Vera Lucia foram encontrados mortos por vizinhos no meio da tarde, após barulhos de tiros terem sido ouvidos.
Quando os populares saíram para verificar o que estaria acontecendo, encontraram Vera e Judicrei Rossatte da Cunha mortos.
“Na nossa chegada, já tinha duas vítimas em óbito evidente. O senhor ainda está sem identificação, mas populares falaram que era irmão dela, que ele provavelmente efetuou disparos contra ela e a si mesmo. Parece que só estavam os dois no local”, explicou o tenente Miranda, médico do Corpo de Bombeiros.
Feminicídios em 2026:
- Josefa dos Santos (Bela Vista) – 16 de janeiro;
- Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro;
- Nilza de Almeida Lima (Coxim) – 22 de fevereiro;
- Beatriz Benevides (Três Lagoas) – 25 de fevereiro;
- Liliane de Souza Bonfim Duarte (Ponta Porã) – 6 de março;
- Leise Aparecida Cruz (Anastácio) – 6 de março;
- Ereni Benites (Paranhos) – 8 de março;
- Fátima Aparecida da Silva (Selvíria) – 23 de março;
- Marlene de Brito Rodrigues (Campo Grande) – 6 de abril;
- Vera Lúcia da Silva (Eldorado) – 12 de abril;
- Zelita Rodrigues de Souza (Mundo Novo) – 30 de abril;
- Fabíola Marcotti (Campo Grande) – 18 de maio;
- Maria do Carmo de Souza (Naviraí) – 28 de junho;
- Paula de Souza Conceição (Fátima do Sul) – 11 de julho;
- Rosenilda de Oliveira Candelario (Nioaque) – 17 de julho;
- Terezinha Nantes de Arruda (Campo Grande) – 27 de julho;
- Ana Carolina Goes (Água Clara) – 30 de julho;
- Adrielle Encarnação Rodrigues (Corumbá) – 31 de julho;
- Rose Batista Cabreira (Dourados) – 2 de agosto;
- Adriana Barrios (Paranhos) – 5 de agosto;
- Nathalia Rodrigues Nogueira (Rio Verde de Mato Grosso) – 6 de agosto;
- Joseane Oliveira Nunes (Campo Grande) – 19 de agosto;
- Fátima Alves de Matos (Costa Rica) – 21 de agosto;
- Marta Florentino Godoi (Aquidauana) – 24 de agosto;
- Adrieli dos Santos (Campo Grande) – 29 de agosto;
- Vera Lucia Rossatte da Cunha (Campo Grande) – 16 de setembro.
📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
📍 Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
⚠️ Quando a Polícia Civil atua com negligência, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.









