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Polícia

Ex-policial preso por receber propina de contrabando é alvo em ação por desvio de drogas 

Delegado é investigado por suspeita de desvio de drogas
Thatiana Melo, Rodrigo Santos -
Policial do Garras preso por receber propina de contrabando virá réu por corrupção
Augusto Torres Galvão Florindo, policial do Garras, durante interrogatório. (Reprodução)

O ex-policial civil Augusto Torres, preso em outra operação por receber propina de contrabando, foi alvo da Operação Infiltrados, deflagrada pelo Gaeco, nesta quinta-feira (24), em . Um delegado da Polícia Civil é investigado por desvio de cocaína. 

Augusto foi preso nesta quinta (24) por suspeita de fazer parte do grupo criminoso. Augusto, que era investigador de Polícia Judiciária, foi preso em flagrante, em novembro de 2025, com R$ 130 mil em espécie. Na ocasião, segundo a investigação, ele confessou que o dinheiro era proveniente de contrabando. O caso também envolvia o ex-guarda municipal Marcelo Raimundo da Silva e a esposa dele. 

A operação cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

Nove policiais civis, dois policiais militares e um policial penal foram presos durante a ação. Entre os alvos, estão um delegado, que não foi encontrado, investigadores e um ex-investigador, além dos PMs.

As investigações foram iniciadas em outubro de 2025, a partir de provas descobertas nas Operações do Traquetos e Blindspot, que revelaram a participação de vários policiais em um esquema de desvio de drogas, especialmente cocaína.

Desvio de droga

O modus operandi adotado pela organização criminosa consistia no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, seja por meio da omissão — nos registros formais — de parte da droga efetivamente arrecadada, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia.

A droga desviada é repassada para traficantes ligados à organização criminosa, os quais são responsáveis por reintroduzir a droga no mercado ilícito.

Os policiais que integram a organização criminosa se valiam de suas funções públicas exercidas no combate à criminalidade para, em completa subversão de seus deveres funcionais, atuar como verdadeiros fornecedores para o tráfico.

R$ 130 mil de propina

Na sentença, o juiz afirmou não ter dúvidas de que os R$ 130 mil encontrados com Augusto tinham origem em atividade ilícita. O dinheiro teria sido entregue em espécie no estacionamento de um supermercado e estaria relacionado a uma pessoa apontada como envolvida com contrabando e descaminho. 

Apesar disso, segundo a decisão, não ficou comprovada a finalidade da entrega dos valores ao policial nem a relação direta entre o pagamento e suas atividades como agente público.

O magistrado também destacou que o Ministério Público Federal não apresentou provas suficientes de que Augusto atuava em auxílio às atividades de contrabando ou que o dinheiro recebido fosse resultado dessa prática.

Com a insuficiência de provas para uma condenação criminal, o juiz aplicou a absolvição prevista no artigo 386, inciso VII, do Código de Processo Penal. Já no âmbito administrativo, a Sejusp-MS concluiu pela demissão do investigador.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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