Os membros da quadrilha que distribuía cocaína pelo Brasil e foram alvos da Operação Blindspot em Mato Grosso do Sul continuarão presos preventivamente. Eles foram alvos do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), que deflagrou a operação em Campo Grande, Dourados, Corumbá e Ladário, em julho do ano passado.
Edimilson Santos Pereira, apontado como um dos líderes da organização, tinha uma amizade íntima com um policial penal que trabalhava no presídio do regime semiaberto. Na época, o policial, que recebia salário de R$ 7,3 mil, também foi alvo da operação.
As defesas dos réus pediram a substituição da prisão preventiva, mas a solicitação foi indeferida pela 1ª Vara Criminal. O Judiciário afirma que a substituição da prisão por medidas cautelares é inadequada e insuficiente no momento do processo.
“A substituição da prisão por outras medidas cautelares previstas no artigo 319 do CPP é inadequada e insuficiente nesse momento processual, sem prejuízo de nova análise posteriormente, inclusive na audiência de instrução”, diz a decisão publicada no Diário da Justiça desta quarta-feira (8).
Policial repassava informações a líder de quadrilha
As investigações sobre a organização criminosa começaram após a apreensão do aparelho celular de Edimilson. Informações obtidas pelo Jornal Midiamax são de que os laços entre ele e o policial se iniciaram após a negociação de uma motocicleta. Na ocasião, o servidor se colocou à disposição de Edimilson, tendo ciência da relação dele com o tráfico de drogas.
De dentro do presídio, o policial penal repassava informações sobre sistemas restritos. Em uma das ocasiões, o líder teria pedido que o policial verificasse a ficha de um preso, que estaria lhe devendo cerca de R$ 300 mil. Na época, em dezembro de 2022, o policial enviou uma foto da tela do computador comprovando a consulta solicitada pelo líder da organização criminosa.
Além disso, as investigações do Gaeco revelaram que o policial realizava a checagem de veículos para o chefe da quadrilha. Em 2023, Edimilson teria enviado a foto de uma placa de veículo, pedindo que o servidor fizesse a checagem sobre a propriedade dele. A solicitação foi atendida pelo policial, que inclusive enviou um ‘print’ sobre a consulta feita no sistema.
Em outra ocasião, o policial também teria adquirido munições de arma de fogo — sem autorização — para o líder da quadrilha. Ainda, utilizando de seu cargo, o policial penal repassava informações ao chefe sobre operações policiais. Ele teria enviado fotos de um policial do Gaeco durante cumprimento de mandados.
Operação Blindspot
Um dos alvos da Operação Blindspot foi preso em Corumbá, com 20 munições calibre .380 intactas, armazenadas em um guarda-roupa em uma casa, na manhã de quarta-feira (9). Uma pessoa foi conduzida para prestar depoimento.
Além de Corumbá, foram cumpridos mandados em Dourados e Ladário. Ao todo, são 37 mandados de prisão preventiva e 30 mandados de busca e apreensão. Em São Paulo, são alvos os municípios de Caiuá, Campinas, Mairinque, Mirandópolis, São José do Rio Preto, São Paulo e Uberaba (MG).
As investigações revelaram a atuação de uma organização criminosa altamente estruturada, com extensa rede de distribuição de drogas, com vários integrantes — incluindo policial penal cooptado — e voltada, principalmente, ao tráfico de cocaína e pasta-base.
A organização criminosa usava diversas estratégias de ocultação, como o acondicionamento dos entorpecentes em estepes e, até mesmo, no interior de cilindros de oxigênio adulterados.
O transporte da cocaína era feito por meio de caminhões usados no transporte rodoviário de cargas, sendo que a logística criminosa se apoiava no aliciamento dos motoristas do setor, que recebiam valores para realizar o transporte clandestino de drogas escondidas entre cargas lícitas.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








