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Polícia

Justiça de MS marca 1ª audiência sobre feminicídio de subtenente da PM

O principal suspeito é o então companheiro da vítima
Evelyn Mendes, Layane Costa -
A subtenente da PM Marlene de Brito. (Reprodução, Redes Sociais)

A Justiça de Mato Grosso do Sul marcou para junho a primeira audiência sobre a morte da subtenente da PM Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, vítima de feminicídio. A militar foi assassinada a tiros na própria casa, no dia 6 de abril, e o principal suspeito é Gilberto Jarson, então namorado da militar.

Conforme informações, a audiência, que é a primeira sobre o caso, deve acontecer no dia 15 de junho. De acordo com a defesa de Gilberto Jarson, foi solicitado uma perícia no local dos fatos, e o Juiz aceitou o laudo de exame do local. Além disso, foi solicitado o laudo pericial de exames balísticos da arma apreendida.

O advogado Jefferson Soares, advogado do principal suspeito, afirmou que também foi solicitado o laudo do exame dos materiais coletados na cena do crime. “Juntamente com as diligências, solicitamos o exame residuográfico na mão da vítima para analisar a questão de um suposto suicídio. Juntamente com isso pedimos também a perícia no local dos fatos” explicou.

O caso:

A militar foi morta a tiros na própria casa. Conforme a apuração do Jornal Midiamax na data da morte, o tiro foi na região do pescoço. Além disso, o principal suspeito é Gilberto Jarson, então namorado da mulher, visto que apresentou versões contraditórias sobre o caso.

Conforme detalhes da PM (Polícia Militar), um vizinho policial foi o primeiro a chegar ao local do crime. Outra vizinha ouviu o tiro e comunicou ao policial militar, que então foi até a casa e encontrou Gilberto com as mãos ensanguentadas.

Segundo o soldado, ele questionou o suspeito sobre Marlene, mas ele não respondeu. Como o portão estava trancado, solicitou que Gilberto abrisse, mas ele demorou. Por isso, o militar pulou o muro da casa.

Gilberto estava falando ao telefone, com a arma na mão direita. Então, o PM ordenou que o namorado de Marlene soltasse a arma, um revólver, e ele o colocou em cima de um baú.

Quando o vizinho entrou na casa, Marlene ainda tinha sinais vitais, então, ele acionou socorro via 192, 193 e 190, mas ela não resistiu. Além do policial, outros vizinhos confirmaram que as brigas de casal eram frequentes.

Uma testemunha chegou a dizer que ouvia sempre Gilberto gritando com Marlene e que, em determinada ocasião, ouviu a mulher gritar por socorro. Após os fatos, as equipes do 9º Batalhão da PMMS foram acionadas e estiveram no local.

Aos policiais, Gilberto deu versões diferentes dos fatos. Em determinado momento, disse que ligou para a polícia após o tiro e mostrou o celular. Então, os militares identificaram também uma chamada para o advogado do suspeito.

Gilberto afirmou que a ligação ocorreu porque tinha provas de que a vítima “manifestava intenção de cometer suicídio”. Disse, ainda, que não houve discussão ou desentendimento na data dos fatos.

Feminicídio

De acordo com a delegada adjunta da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), Analu Lacerda Ferraz, o suspeito foi preso em flagrante por feminicídio. “A perícia no local já sanou algumas dúvidas, o pessoal que chegou na casa no momento da abordagem. Então, ele está sendo preso e foi conduzido para a Deam em flagrante por feminicídio. Todas as informações são suficientes para caracterizar o flagrante do feminicídio”, esclareceu a Analu Lacerda Ferraz.

As informações apuradas pelo Jornal Midiamax apontam que o suspeito já tinha registro de passagens por violência doméstica, no entanto, de relacionamentos anteriores. O relacionamento com a militar durou cerca de um ano e seis meses.

“Eles não tinham um histórico registrado por violência doméstica, isso não significa que eles não tinham um relacionamento conturbado e um relacionamento de violência, mas tudo isso está sendo abordado e já tenho essas informações”, explicou Analu.

Versões contraditórias

O namorado reforçou à polícia que ela teria tirado a própria vida. “Ela foi ao canto da sala e cometeu suicídio, ele [namorado] avançou e segurou na mão dela, e ela apertou o gatilho”, disse um militar que atendeu a ocorrência.

Tempos depois, o namorado apresentou versões contraditórias. “Ele entrou em várias contradições quando foi encontrado com a arma na mão. Em uma das primeiras versões, ele alega que a arma estava caída. Então, já entrou na quarta versão dos fatos, não podemos acusar nem inocentar”, frisou.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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