A idosa de 64 anos — vítima do falso bilhete premiado em Campo Grande — percebeu que estava caindo no golpe somente após conversar com o gerente da agência bancária no Tribunal de Justiça, no Parque dos Poderes. Foi quando teve ‘um momento de lucidez’. Isso porque, quando a servidora aposentada foi abordada pelos suspeitos, teria tomado água ofertada por eles e, a partir daí, não teria ficado com os sentidos normais.
Tudo aconteceu na terça-feira (16), quando um suspeito abordou a vítima dizendo que tinha um bilhete premiado, mas que a religião não permitia que ele sacasse o valor de R$ 9 milhões. Outro suspeito se aproximou também e levou a idosa de carro até a casa dela, onde a servidora aposentada pegou 4 mil dólares.
Depois, eles ainda pediram mais dinheiro e foram com ela até a Agência do Tribunal de Justiça, na região do Parque dos Poderes. Foi quando a idosa percebeu que estava sendo vítima de um golpe, após ter um momento de lucidez.
Assim, somente após entrar na agência e falar com o gerente, sentiu-se lúcida e disse a ele que estava caindo em um golpe. Então, o funcionário a auxiliou e acionou a segurança do local.

Faria empréstimo
Após conversar com os suspeitos, a idosa foi com eles até a casa, no próprio carro, e retirou aproximadamente 4 mil dólares de um cofre. Eles ainda a convenceram a fazer um empréstimo e foram com ela até o TJMS, onde há uma agência bancária.
Lá, a idosa passou a suspeitar dos suspeitos e falou com o policial militar que trabalha na segurança. Então, eles foram até o carro, onde houve uma tentativa de abordagem. Já com a idosa dentro do carro, a dupla arrancou com o veículo.
O policial então fez um disparo, que atingiu o carro. Pouco depois, os suspeitos pararam e abandonaram o veículo com a vítima, fugindo para uma área de mata no Parque dos Poderes.
Assim, equipes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), Batalhão de Choque e Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) foram até o local e prenderam os suspeitos em flagrante.

Dupla de Santa Catarina
A dupla que sequestrou a idosa durante golpe do bilhete premiado é de Santa Catarina e já havia aplicado golpes em Mato Grosso do Sul ao menos três vezes. Contra eles, existem três boletins de ocorrências por estelionato no Estado, no mesmo modus operandi. Inclusive, uma vítima reconheceu um dos suspeitos.
Os criminosos possuem várias passagens policiais. Um deles, identificado como M.J.K., de 35 anos, estava com mandado de prisão em aberto e tinha registros por estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Já E.R.L., de 65 anos, possui registros policiais por estelionato e falsificação de documentos.
Em 2024, o golpista de 65 anos foi preso em Balneário Camboriú (SC), durante uma ação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Na ocasião, ele teria sido preso durante a Operação Seguro Divino, que investigava o golpe aplicado em uma idosa de 72 anos, no bairro Tristeza, em Porto Alegre.
Durante a abordagem, o golpista alegou ser um falso religioso, segundo o site Vangfm. Ainda, argumentou possuir um seguro de R$ 3 milhões a receber, mas precisava de auxílio. Assim, chamou outro homem para ajudar. Ambos aplicaram o golpe na idosa nos moldes do golpe do bilhete premiado.
Já no Rio Grande do Sul, o golpista de 35 anos foi preso em 2023 justamente por integrar uma organização criminosa especializada no golpe. Na ocasião, segundo o R7, o delegado afirmou que todas as vezes que os suspeitos apareciam no estado, eles aplicavam o golpe do bilhete premiado.

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(Revisão: Nichole Munaro)








