Cinco adolescentes investigados por envolvimento na morte da adolescente, de 13 anos, que participava de desafios on-line em Naviraí, a 359 km de Campo Grande, foram soltos. Agora, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) ingressou com um pedido de tutela de urgência para restabelecer a internação provisória deles.
A adolescente foi encontrada morta na varanda de casa, onde morava com a família, no dia 22 de julho. Na época, foi divulgado que a vítima estaria participando de um grupo na plataforma Discord. Ela teria sido induzida a tirar a vida de quatro gatos; no entanto, não teria conseguido.
O servidor teria sido derrubado após denúncias do Carpe Diem — grupo de hackers éticos que ajuda a polícia. Tempos depois, o mesmo grupo, já em outra chamada, fez com que a adolescente tirasse a própria vida. Inclusive, os integrantes teriam comemorado a morte entre eles.
Em agosto, a primeira fase da Operação Lívia, que investiga a morte da menina, foi deflagrada pela Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente). Na ocasião, seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos, sendo cinco adolescentes apreendidos e um maior, de 18 anos, preso.
Na segunda fase da operação, deflagrada neste mês de setembro, outros seis adolescentes foram apreendidos. Celulares, mídias e computadores foram recolhidos e passarão por análises.

Após a soltura de cinco adolescentes, o Ministério Público entrou com tutela de urgência buscando justamente reverter a decisão que determinou a liberação deles após o decurso do prazo da medida cautelar, defendendo a manutenção da internação até a conclusão do processo socioeducativo.
“Na peça encaminhada pela 4ª Promotoria de Justiça de Naviraí ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o MPMS sustenta que a excepcional gravidade dos fatos, a complexidade da investigação e a proximidade da sentença justificam a manutenção da medida”, diz trecho da nota do MP.
O Ministério Público apresentou duas representações para aplicação de medidas socioeducativas contra os adolescentes identificados ao longo das investigações. Os adolescentes da primeira fase da operação são apontados como integrantes e administradores dos grupos conhecidos como “Proxy” e “Snak4”.
“Com o agravo e as representações já ajuizadas, a instituição busca assegurar a responsabilização dos envolvidos e a efetiva resposta do sistema de justiça diante de um caso considerado de elevada complexidade e relevante impacto social”, finaliza a nota.
Chantagens
As investigações apontaram para a utilização de mecanismos de chantagem, manipulação e coerção psicológica contra adolescentes em situação de vulnerabilidade, buscando submetê-los às determinações dos integrantes desses grupos.
A atuação policial tem como objetivo não apenas responsabilizar os envolvidos, mas também identificar possíveis vítimas, interromper situações de risco e promover seu adequado encaminhamento e proteção pelos órgãos competentes.
Itens neonazistas
Durante as buscas na primeira fase da operação, a polícia encontrou materiais de apologia ao neonazismo, armas e conteúdos de abuso sexual infantil com os adolescentes.
Os itens extremistas foram encontrados durante o cumprimento de mandados de busca, que miraram seis integrantes do grupo no Rio de Janeiro, em Mato Grosso do Sul, no Pará, no Ceará e em Minas Gerais. Um adolescente de Aquidauana fazia parte do grupo. A jovem de Naviraí foi coagida a tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo no Discord, que durou cerca de 45 minutos.
Conforme as investigações, a ideologia neonazista era usada pelo grupo para radicalizar os jovens no Discord e no Telegram, onde promoviam discursos de ódio, misoginia e desafios de violência extrema contra crianças e animais.

Morte da adolescente
No dia 22 de julho, a adolescente, de 13 anos, foi encontrada morta na varanda da casa onde morava, em Naviraí. Ela foi encontrada pela mãe e pelo padrasto, por volta das 6h.
Na época, foi divulgado que a vítima estaria participando de um grupo na plataforma Discord. Ela teria sido induzida a tirar a vida de quatro gatos; no entanto, não teria conseguido. O servidor teria sido derrubado após denúncias do Carpe Diem — grupo de hackers éticos que ajuda a polícia.
Tempos depois, o mesmo grupo, já em outra chamada, fez com que a adolescente tirasse a própria vida. Inclusive, os integrantes teriam comemorado a morte entre eles.
Prints de supostas mensagens atribuídas ao grupo chegaram a circular nas redes sociais. “Tropinha, isso é oq acontece quando demora tanto pra fazer a p**** de um lulz, o próximo será possivelmente um homicídio…”, descreve uma das mensagens.
💬 Receba notícias antes de todo mundo
Seja o primeiro a saber de tudo o que acontece nas cidades de Mato Grosso do Sul. São notícias em tempo real com informações detalhadas dos casos policiais, tempo em MS, trânsito, vagas de emprego e concursos, direitos do consumidor. Além disso, você fica por dentro das últimas novidades sobre política, transparência e escândalos.
📢 Participe da nossa comunidade no WhatsApp e acompanhe a cobertura jornalística mais completa e mais rápida de Mato Grosso do Sul.
(Revisão: Nichole Munaro)








