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Polícia

‘Não há provas concretas’, diz defesa de advogado suspeito de vazar informações do Gaeco

Defesa de Amilton Ferreira entrou com pedido de liberdade e aguarda audiência de custódia
Lívia Bezerra -
‘Está muito surpreso’, diz defesa de delegado preso em operação que investiga desvio de cocaína em MS
Advogado Amilton Ferreira. (Foto: Mateus Andrade, Midiamax)

A defesa do advogado Amilton Ferreira de Almeida entrou com pedido de liberdade e nega a existência de provas concretas que fundamentam a prisão dele. Amilton foi preso na manhã de terça-feira (29), suspeito de vazar informações sobre a Operação Infiltrados, deflagrada na última quinta-feira (24), pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).

O advogado foi alvo de um mandado de prisão temporária, que vale por 30 dias. Ao Jornal Midiamax, a advogada Damares Machado, que representa a defesa de Amilton, disse que não há provas do suposto vazamento de informações.

“Tivemos acesso aos autos ontem à tarde e, como havíamos previsto, não há provas concretas que fundamentem a prisão, não há prova nenhuma do suposto vazamento de informações”, afirmou a advogada.

A defesa disse que entrou com pedido de liberdade e Amilton passará por audiência de custódia na manhã desta quarta-feira (30). Ele está no PME (Presídio Militar Estadual). “Já peticionamos um pedido de liberdade e iremos para audiência de custódia, que está prevista para as 8h30”, explicou Damares Machado.

Prisão temporária

O advogado Amilton Ferreira representava a defesa do delegado Hoffman D’Ávila Candido e Souza, apontado como chefe do esquema de desvio de drogas apreendidas pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico).

Hoffman se apresentou na quinta-feira, acompanhado de Amilton. Já o advogado foi preso durante a Operação Obstructio, um desdobramento da Operação Infiltrados, que investiga a suspeita de vazamento de informações sigilosas durante o cumprimento de mandados na semana passada.

Questionada sobre a suspeita de que o advogado tenha vazado as informações, a defesa de Amilton afirmou que ele não havia sido informado sobre a operação.

“Ele nega isso, até porque ele não teve essas informações; ninguém avisou ele sobre nada. Mas, como advogado criminalista, é óbvio que a gente imagina o que pode acontecer no decorrer do processo. Até por experiência da própria profissão. E suspeitaram que ele tivesse alertado o cliente a respeito da operação, só que ele não alertou, ele nega essas informações”, defendeu.

Segundo informações do Ministério Público Estadual de Mato Grosso do Sul, além da prisão temporária do advogado, equipes do Gaeco cumpriram dois mandados de busca e apreensão.

“Há evidências já materializadas de que ocorreu a comunicação criminosa da ação policial, o que acabou por embaraçar diretamente a investigação do Gaeco sobre a atuação da organização criminosa”, ressalta.

Após a prisão, a OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul) disse que irá adotar medidas cabíveis ao caso e que um procedimento disciplinar será instaurado.

Operação Infiltrados

A Operação Infiltrados, do Gaeco, investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança, principalmente cocaína. Segundo o MPMS, parte dos entorpecentes seria omitida dos registros ou retirada de depósitos policiais e depois repassada a traficantes para retornar ao mercado ilegal. A investigação começou em outubro de 2025.

Conforme o documento, as evidências encontradas indicam que, ao menos entre 2021 e 2026, em Mato Grosso do Sul, um grupo de policiais civis vinha se valendo de suas funções públicas para desviar drogas apreendidas e reinseri-las no mercado ilegal.

Eles desviavam as drogas apreendidas, seja por meio da omissão — nos registros formais da ocorrência — de parte da droga efetivamente arrecadada, fazendo com que esse montante não fosse oficialmente contabilizado como apreendido, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia, com posterior repasse ao traficante Lucas da Silva dos Santos, o ‘LK’, que usava uma construtora para legalizar os recebimentos obtidos por meio do crime.

A operação cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 38 de busca e apreensão nas cidades de , Dourados e Terenos.

Operação Infiltrados cumpre 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 ordens de busca e apreensão. (Foto: Leo de França, Jornal Midiamax)

Gaeco aponta que delegado comandava desvio de drogas na Denar

Conforme o documento, as evidências encontradas indicam que, ao menos entre 2021 e 2026, em Mato Grosso do Sul, um grupo de policiais civis vinha se valendo de suas funções públicas para desviar drogas apreendidas e reinseri-las no mercado ilegal.

Eles desviavam as drogas apreendidas, seja por meio da omissão — nos registros formais da ocorrência — de parte da droga efetivamente arrecadada, fazendo com que esse montante não fosse oficialmente contabilizado como apreendido, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia, com posterior repasse ao traficante Lucas da Silva dos Santos, o ‘LK’.

Segundo o Gaeco, as provas produzidas demonstram que o então delegado “ocupava posição de comando e chancela institucional do esquema, sendo responsável por viabilizar a atuação da organização criminosa, da qual é um dos principais beneficiários”.

Em um dos áudios gravados pelo traficante ‘LK’, as investigações apontam que Hoffman é mencionado por meio do apelido ‘Careca’. Na data da conversa, o servidor público teria ficado exaltado com o fato de ter perdido um veículo no qual eles, naquele momento, queriam instalar um GPS para acompanhar a carga.

“Ô, mãe, centraliza tudo em mim aqui os áudios e vai me posicionando. É, o CARECA tava meio exaltado aqui, isso aí a gente já contornou já, beleza, pode ficar tranquilo aí, nós estamos por aqui, nós estamos caçando a carreta, vamos confiar que vai dar bom, vai conferindo aí o que o chegado vai falando aí, se você quiser que eu fale com ele também, você sabe que eu falo de boa, então pode ser qualquer coisa, você me passa contato dele, beleza, mas vai fazendo a ponte aí, fechou?”

Conforme o Gaeco, o teor do áudio sugere que o indivíduo identificado como ‘Careca’ ocupava a posição de ascendência hierárquica no grupo, justamente o que acontece com Hoffman, “que é calvo e é Delegado de Polícia, chefiando assim a equipe dos policiais civis”.

Ou seja, para o Grupo de Atuação Especial, o delegado participava diretamente do esquema, inclusive dando ordens aos demais, voltado à apreensão e ao posterior desvio da droga que seria transportada no veículo mencionado no áudio de ‘LK’, confirmando seu papel de destaque na organização criminosa.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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