A OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul) disse que irá adotar medidas cabíveis em relação à prisão do advogado Amilton Ferreira, nesta terça-feira (29), em Campo Grande, acusado de vazar informações da Operação Infiltrados, que teve um delegado como alvo.
Segundo a OAB, um procedimento disciplinar será instaurado. Confira a nota:
“Em respeito à segunda fase da Operação Infiltrados, deflagrada na manhã desta terça-feira (29) pelo Gaeco envolvendo um advogado, a Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional de Mato Grosso do Sul, informa que a Comissão de Defesa e Assistência das prerrogativas dos advogados se fez presente acompanhando as diligências, informando ainda que adotará as medidas legais cabíveis, inclusive de natureza disciplinar, respeitando sempre o direito à ampla defesa e ao contraditório”, diz a nota.
A defesa do advogado disse que Amilton ficou surpreso com a prisão. “Ele não vazou informações. Ele nega isso, até porque ele não teve essas informações; ninguém o avisou sobre nada. Mas, como advogado criminalista, é óbvio que a gente imagina o que pode acontecer no decorrer do processo. Até por experiência da própria profissão. E suspeitaram que ele tivesse alertado o cliente a respeito da operação, só que ele não alertou, ele nega essas informações. Se ele tivesse alertado o cliente dele, como suspeitaram, isso não seria crime. Ele não alertou, mas, se tivesse alertado, não seria crime. É inerente à profissão”, afirmou Damares Machado ao Jornal Midiamax.
Após a prisão, o advogado foi levado para a Depac-Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro Integrado de Polícia Especializada). Em seguida, Amilton foi encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) para exame de corpo de delito e será transferido para o PME (Presídio Militar Estadual).
Além da prisão temporária, equipes do Gaeco cumpriram dois mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (29), na Capital. “Há evidências já materializadas de que ocorreu a comunicação criminosa da ação policial, o que acabou por embaraçar diretamente a investigação do Gaeco sobre a atuação da organização criminosa”, afirma o MPMS.
Obstructio
De acordo com o MPMS, “Obstructio”, em latim, remete à ideia de obstrução, bloqueio ou colocação de obstáculo no caminho e aponta para a obtenção indevida de informação, com o intuito de inviabilizar ou dificultar o cumprimento de medidas judiciais legalmente determinadas.
Advogado acompanhou delegado à Corregedoria no dia da operação
Na quinta-feira (24), quando a Operação Infiltrados foi deflagrada, Amilton representava a defesa do delegado e alegou não ter sido informado sobre o mandado de prisão existente contra o cliente naquele momento. Equipes do Gaeco estiveram na residência do delegado, mas ele já havia saído de casa e não foi localizado. Ele alegou ter saído do imóvel para resolver uma situação pessoal.
Horas depois, quando Hoffman se apresentou, na presença de Amilton, à CGPC, o advogado afirmou que o servidor estava surpreso com a operação.
Operação Infiltrados
A Operação Infiltrados, do Gaeco, investiga um esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança, principalmente cocaína. Segundo o MPMS, parte dos entorpecentes seria omitida dos registros ou da retirada de depósitos policiais e depois repassada a traficantes para retornar ao mercado ilegal. A investigação começou em outubro de 2025.
A operação cumpriu 24 mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 38 de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande, Dourados e Terenos.
As investigações foram iniciadas em outubro de 2025, a partir de provas descobertas nas operações Traquetos e Blindspot, que revelaram, segundo o MPMS, a participação de vários policiais em um esquema de desvio de drogas, especialmente cocaína.
Segundo o MPMS, o modus operandi adotado pela organização criminosa consistia no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, seja por meio da omissão — nos registros formais — de parte da droga efetivamente arrecadada, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia.
A droga desviada seria repassada para traficantes ligados à organização criminosa, que seriam responsáveis por reintroduzir a droga no mercado ilícito.
Segundo a investigação, os policiais suspeitos de integrar a organização criminosa se valiam de suas funções públicas exercidas no combate à criminalidade para atuar como fornecedores para o tráfico.
Gaeco aponta que delegado comandava desvio de drogas na Denar
Conforme o documento, as evidências encontradas indicam que, ao menos entre 2021 e 2026, em Mato Grosso do Sul, um grupo de policiais civis vinha se valendo de suas funções públicas para desviar drogas apreendidas e reinseri-las no mercado ilegal.
Eles desviavam as drogas apreendidas, seja por meio da omissão — nos registros formais da ocorrência — de parte da droga efetivamente arrecadada, fazendo com que esse montante não fosse oficialmente contabilizado como apreendido, seja pela subtração de entorpecentes diretamente do depósito da delegacia, com posterior repasse ao traficante Lucas da Silva dos Santos, o ‘LK’.
Segundo o Gaeco, as provas produzidas demonstram que o então delegado “ocupava posição de comando e chancela institucional do esquema, sendo responsável por viabilizar a atuação da organização criminosa, da qual é um dos principais beneficiários”.
Em um dos áudios gravados pelo traficante ‘LK’, as investigações apontam que Hoffman é mencionado por meio do apelido ‘Careca’. Na data da conversa, o servidor público teria ficado exaltado com o fato de ter perdido um veículo no qual eles, naquele momento, queriam instalar um GPS para acompanhar a carga.
“Ô, mãe, centraliza tudo em mim aqui os áudios e vai me posicionando. É, o CARECA tava meio exaltado aqui, isso aí a gente já contornou já, beleza, pode ficar tranquilo aí, nós estamos por aqui, nós estamos caçando a carreta, vamos confiar que vai dar bom, vai conferindo aí o que o chegado vai falando aí, se você quiser que eu fale com ele também, você sabe que eu falo de boa, então, pode ser qualquer coisa, você me passa contato dele, beleza, mas vai fazendo a ponte aí, fechou?”
Conforme o Gaeco, o teor do áudio sugere que o indivíduo identificado como ‘Careca’ ocupava a posição de ascendência hierárquica no grupo, justamente o que acontece com Hoffman, “que é calvo e é delegado de Polícia, chefiando assim a equipe dos policiais civis”.
Ou seja, para o Grupo de Atuação Especial, o delegado participava diretamente do esquema, inclusive dando ordens aos demais, voltado à apreensão e ao posterior desvio da droga que seria transportada no veículo mencionado no áudio de ‘LK’, confirmando seu papel de destaque na organização criminosa.
💬 Fale com os jornalistas do Midiamax
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o Jornal Midiamax?
🗣️ Envie direto para nossos jornalistas pelo WhatsApp (67) 99207-4330. O sigilo está garantido na lei.
✅ Clique no nome de qualquer uma das plataformas abaixo para nos encontrar nas redes sociais:
Instagram, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp, Bluesky e Threads.
(Revisão: Dáfini Lisboa)








