Marcos Antônio de Souza Vieira, réu por tentativa de feminicídio contra a ex-companheira no estacionamento de um posto de combustíveis, admitiu ter efetuado quatro tiros, mas negou ter tido intenção de matar a vítima. A tentativa de feminicídio aconteceu em maio do ano passado, no bairro Aero Rancho.
Nesta quarta-feira (10), um ano após o crime, Marcos Antônio ocupa o banco dos réus na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, sob acusação de tentativa de feminicídio, sequestro e porte ilegal de arma de fogo.
Durante o interrogatório, o réu negou que teria obrigado a vítima a entrar em seu carro. Questionado se efetuou o disparo de arma de fogo com a intenção de matar a mulher, o homem respondeu: “Pior é que não”.
Em plenário, Marcos Antônio disse que se recorda apenas de quatro tiros efetuados naquele 29 de maio. “No impulso, no ato das coisas, não dá para mentir, está gravado, tem vídeo […] Eu lembro que foram quatro [tiros]. Eu não ameacei ela, simplesmente parei o automóvel na frente, ela voltou para trás, eu desci do carro, fui até ela e pedi para a gente analisar e resolver o assunto”, alegou o réu.
Em agosto do ano passado, aconteceu uma audiência de instrução e julgamento do caso. Na época, a vítima não acompanhou a sessão e apenas o filho dela esteve presente. Na ocasião, ele afirmou que desde que sofreu a tentativa de feminicídio, a mãe — que ficou com sequelas — se mantém isolada.
Relembre o caso
Conforme a denúncia, a mulher foi sequestrada pelo companheiro no Jardim Centenário. Depois, o casal parou em um posto de combustível. A mulher foi até o banheiro e, quando retornou, o homem estava gritando com ela. A vítima tentou fugir e foi alvejada por disparos de arma de fogo.
A mulher foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada para atendimento médico. Marcos Antônio, que conseguiu fugir do local, foi preso logo depois, na Avenida Bandeirantes, região do Guanandi.
A arma utilizada por Marcos Antônio foi comprada em Bela Vista, cidade a 313 quilômetros de Campo Grande. Na casa do autor, os policiais encontraram mais 78 munições.
O crime aconteceu poucos dias após a mulher entrar com pedido de divórcio. Segundo a delegada Analu Ferraz, da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), a vítima havia pedido medidas protetivas contra o companheiro, mas, em dezembro de 2024, a solicitação foi revogada a pedido da vítima.
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(Revisão: Nichole Munaro)









