A esposa do motoentregador Hudson de Oliveira Ferreira, morto ao ser atingido por uma Porsche conduzida pelo empresário Arthur Torres Navarro, em março de 2024, participou na tarde desta quinta-feira (11) de mais uma audiência de instrução do caso. Para Kelly Patrícia Ferreira, em cada oitiva passa “um filme em sua cabeça” ao relembrar o acidente que vitimou o marido, aos 39 anos.
O trabalhador foi atropelado na noite do dia 22 de março de 2024, na Rua Antônio Maria Coelho, em Campo Grande. Na ocasião, ele chegou a ser socorrido com vida, no entanto, acabou morrendo dois dias depois na Santa Casa.
A Porsche Cayenne era conduzida a 89 km/h por Arthur, que atualmente é réu por homicídio culposo, ou seja, quando não há intenção de matar, além de ser acusado de omissão de socorro. O empresário saiu do local do acidente sem prestar socorro e se apresentou na delegacia somente duas semanas depois, alegando que fugiu por “achar que não era grave”.
Em contrapartida, o trabalhador, mesmo ferido, gravou um áudio desesperado para a esposa pedindo que fosse até o local do acidente o mais rápido possível. Com a voz embargada, Kelly, que era casada há cerca de 10 anos com Hudson, relatou como é relembrar o acidente que vitimou o marido há cerca de dois anos.
“Passa um filme na cabeça, você vê toda a cena de novo. Você vê ele [Hudson] no chão, foi passando um filme na minha cabeça. E é muito difícil ver a pessoa que causou tudo isso sentado, como se nada estivesse acontecendo”, desabafou Kelly.
Nesta quinta-feira, durante a audiência de instrução e julgamento que ocorreu no Fórum Heitor de Medeiros, foram ouvidas as testemunhas arroladas pelo réu, que incluiu a própria esposa.
Conforme apurado pela reportagem do Jornal Midiamax, o período de instrução do processo ainda não encerrou. Isso porque falta ainda uma testemunha a ser ouvida, além do interrogatório do próprio réu, que está previsto para acontecer no próximo dia 3 de julho.
Defesa de empresário
O TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) negou uma liminar para suspender a audiência de instrução e julgamento que ocorreu hoje. Na ocasião, a defesa do réu, feita pelos advogados André Borges e Lucas Rosa, entrou com pedidos de habeas corpus para produção de provas a partir de uma nova perícia.
Segundo a defesa, a perícia poderia provar que o acidente ocorreu “por culpa exclusiva da vítima”.
“Há indicativos de que a causa da morte da vítima não foi a conduta do Arthur; nós estamos avançando para deixar isso claro. Nós entendemos como defesa que este elemento já está produzido no processo, mas nós vamos continuar avançando. O falecimento não foi causado propriamente pelo impacto, mas pelo modo como ele foi atendido”, defendeu Lucas Rosa, durante entrevista ao Jornal Midiamax.
A expectativa da defesa é levar mais documentos de atendimento hospitalar para o Poder Judiciário, na intenção de comprovar que a morte não foi propriamente dita causada em decorrência da vítima ter sido atingida pela Porsche que era conduzida a mais de 80 km/h.
“Trazer mais documentos de atendimento de hospitais, atendimento por órgãos de socorro para os órgãos de segurança é isso que nós estamos buscando”, pontuou Rosa.

Defesa da família
Em contrapartida, a defesa da família de Hudson, representada pela advogada Janice Andrade, afirma que não há dúvidas de que a causa da morte foi a velocidade na qual o réu conduzia a Porsche. Uma vez, que o limite permitido é de 40 km/h.
“Os laudos técnicos da Polícia Civil, como os laudos do local do acidente, não têm dúvidas de que o fator e a ação que causaram a morte foram a velocidade, porque estávamos numa via de 40 km/h e com sinal. Foi apurado que o carro estava a 89 km/h, totalmente incompatível com a via. O fator ali que causou o resultado morte foi a velocidade”, afirmou Janice.
Acidente
Na data dos fatos, o empresário foi filmado por câmeras de segurança dirigindo o carro de luxo em alta velocidade após o acidente. Durante depoimento na delegacia, ele teria mentido sobre a velocidade no momento em que atropelou o motociclista.
Ele disse que não estava em alta velocidade e que não havia ingerido bebidas alcoólicas. “Não imaginei que poderia ser algo grave”, contou ao fim de seu depoimento.
Arthur ficou com o Porsche parado de sexta a domingo, quando levou o carro para a casa do irmão e a peça danificada para um martelinho. Para tentar justificar isso — enquanto a polícia o procurava —, o empresário alegou que seu pai e seu irmão também fazem uso do veículo e que o deixou em sua garagem no fim de semana.
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