As facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) passaram, nesta sexta-feira (5), a ser consideradas terroristas pelos EUA. As facções foram classificadas como FTO (Organizações Terroristas Estrangeiras).
O anúncio da classificação foi feito pelo Departamento de Estado americano, quando as duas facções já haviam sido enquadradas como “Terroristas Globais Especialmente Designados”, classificação que passou a valer de imediato.
Conforme o secretário de Estado, Marco Rubio, o CV e o PCC estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e sua atuação se estende para além das fronteiras brasileiras, alcançando o território americano. Com a medida, o governo dos EUA tenta interromper fluxo de recursos que financiam “narcoterroristas violentos”.
O que muda com as duas classificações
As duas classificações viabilizam congelamento de ativos, proíbem transações com os grupos designados, vetam a entrada de integrantes nos EUA — que podem ser deportados — e obrigam instituições financeiras americanas a reportar fundos ligados às facções ao Departamento do Tesouro, segundo a CNN.
Mas essa medida não altera a legislação brasileira, já que esta classificação unilateral de um país não produz efeitos automáticos sobre o ordenamento jurídico de outro.
Com a decisão, PCC e CV passam a integrar uma lista de mais de 90 organizações tratadas como terroristas estrangeiras pelos EUA, ao lado de grupos como Hamas, Hezbollah, Al Qaeda e Estado Islâmico, além de cartéis latino-americanos como Sinaloa e Tren de Aragua.
O que muda em MS?
A Câmara de Ponta Porã, município na região de fronteira seca, onde o PCC tem domínio no tráfico de drogas e de armas, pediu ajuda ao Estado após a classificação das facções como terroristas.
O PCC já travou uma guerra com o CV, que tenta desde 2022 avançar em Mato Grosso do Sul, saindo de Mato Grosso e entrando por Sonora. A partir das tentativas de ingressar em território sul-mato-grossense, membros das duas facções já morreram em confronto e várias operações policiais foram deflagradas, a fim de tentar conter tanto o avanço como a guerra travada entre PCC e CV.
Em fevereiro deste ano, a guerra entre as facções acabou em atentado a tiros em Sonora. Na época, à polícia, um homem relatou que estava fazendo um serviço na rua enquanto seus três funcionários ficaram dentro da empresa. Segundo o boletim de ocorrência, um suspeito aproximou-se da porta do estabelecimento, sacou uma pistola e tentou efetuar disparos contra o trio de funcionários.
A ação, inclusive, foi registrada por câmeras de segurança, que flagraram o momento em que uma motocicleta, de cor vermelha, passava pelo local com dois ocupantes. Na ocasião, o veículo desceu a via, retornou e parou na esquina. Em seguida, o passageiro desembarcou e foi até a empresa.
À polícia, foi relatado que o suspeito se aproximou da porta, sacou a pistola e ameaçou: “Corre, não, vai morrer”. O atirador acionou o gatilho, mas a pistola falhou. Assim, ele tentou manusear a arma, acionou o gatilho novamente, mas a pistola falhou pela segunda vez. Após a tentativa de assassinato, o suspeito saiu correndo, embarcou na motocicleta do comparsa e fugiu. Diante dos relatos, a polícia realizou diligências e tomou conhecimento de que a motocicleta usada no crime, juntamente com os suspeitos, teria sido vista saindo da casa de um rapaz.
O rapaz sofreu um atentado na praça central de Sonora recentemente, o qual teria sido motivado por conflito entre as facções CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital). Ele seria integrante do PCC e foi alvejado por vários disparos efetuados por integrantes do CV.
Governo Trump afirma querer ‘eliminar’ as facções
O governo identificou atuação das facções brasileiras em 12 estados dos EUA, sem detalhar quais. Do lado brasileiro, a avaliação do Palácio do Planalto é que não há possibilidade de recuo dos EUA e que a entrada em vigor da medida não deve trazer prejuízos imediatos à economia do país. Nos bastidores, auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passaram a avaliar que a decisão teve o aval de Trump — e não apenas de Rubio, a quem o petista já chamou de “latino-americano frustrado”.
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(Revisão: Nichole Munaro)





