“Pedi uma carona na hora errada, entrei no carro na hora errada”, assim diz o réu por envolvimento no espancamento contra um homem que teve a casa incendiada no bairro Coronel Antonino, em Campo Grande.
O julgamento do caso ocorre nesta quinta-feira (22), na 1ª Vara do Tribunal do Júri. Os outros réus, Bruno Estevão de Oliveira, Igor Samuel Vicente Gonçalves e Lucas Fernandes Centurião, foram submetidos a julgamento em julho do ano passado. Igor foi condenado a 14 anos e oito meses de reclusão; Bruno foi condenado a 15 anos e quatro meses e Lucas foi condenado a 13 anos e quatro meses.
Julgado nesta quinta-feira (22), o réu é acusado de ter ficado do lado de fora da casa da vítima, aguardando o restante do grupo. Aos jurados, ele negou participação no crime. “Se existe o direito de estar na hora errada e no local errado, foi o que aconteceu”, alegou.
O réu agradeceu a oportunidade de se manifestar e disse que está aguardando o júri popular há dois anos. Ele contou que estava na casa de uma prima, na mesma rua da residência de Igor — réu já condenado em julho do ano passado.
De acordo com o depoimento do réu, ele passou a tarde inteira na casa da familiar. À noite, ele soube de uma comemoração na casa de Igor e, quando estava indo embora da residência da prima, passou em frente ao imóvel do amigo.
“Ele estava saindo para o portão, vi que ia descer de carro e pedi carona. Ele me mandou entrar. Quando vi, tinha cinco [pessoas] no banco de trás. Entrei e já estavam todos dentro do carro. Quando desceram, viraram. Eu perguntei, e ele falou que ia receber umas televisões. Chegando lá, desceu todo mundo e eu fiquei no telefone falando com minha mulher, que brigava comigo por ciúmes. Eu falei que queria ir embora a pé mesmo e 50 pararam na frente da casa”, contou o homem, no banco dos réus.

Em plenário, o réu disse que não sabia de nada e reafirmou que estava na hora e no local errados naquele 12 de maio. “Não tinha ciência de nada. Pedi uma carona na hora errada, entrei no carro na hora errada e só fiquei sabendo depois que saiu conversa do que aconteceu”, falou.
O réu é acusado de homicídio qualificado por motivo fútil, recurso que dificultou a defesa da vítima, incêndio e corrupção de menores.
Durante o júri popular desta quinta-feira (22), a vítima lembrou os fatos e contou ter sido agredida com golpes na cabeça, nas costas e nas pernas. “Minha perna deformou, não sinto uma parte. Não lembro do ocorrido, só acordei no hospital”, contou o homem, que ficou 15 dias em coma devido à brutalidade do ataque.

Espancamento de morador
Na data do crime, o grupo, que era formado pelos três réus e outros quatro suspeitos, tentava esconder televisores furtados na casa do homem. Ele se apossou dos aparelhos com a intenção de devolvê-los aos proprietários.
Igor avisou os comparsas e o grupo invadiu a residência. Aproveitando que a vítima dormia, usaram uma barra de ferro, socos e pontapés para agredi-la. Em seguida, trancaram o imóvel e o incendiaram.
Vizinhos viram as chamas e conseguiram socorrer o homem, que foi levado para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento Comunitário) Coronel Antonino e sobreviveu.
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(Revisão: Nichole Munaro)









