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Polícia

‘Pedi carona na hora errada’, diz réu por espancamento de morador de casa incendiada em Campo Grande

Réu é julgado nesta quinta-feira (22) pelo crime ocorrido em maio de 2024, no Coronel Antonino
Rodrigo Santos, Lívia Bezerra -
‘Pedi carona na hora errada’, diz réu por espancamento de morador de casa incendiada em Campo Grande
Casa incendiada em maio de 2024. (Alicce Rodrigues, Jornal Midiamax)

“Pedi uma carona na hora errada, entrei no carro na hora errada”, assim diz o réu por envolvimento no espancamento contra um homem que teve a casa incendiada no bairro Coronel Antonino, em Campo Grande.

O julgamento do caso ocorre nesta quinta-feira (22), na 1ª Vara do Tribunal do Júri. Os outros réus, Bruno Estevão de Oliveira, Igor Samuel Vicente Gonçalves e Lucas Fernandes Centurião, foram submetidos a julgamento em julho do ano passado. Igor foi condenado a 14 anos e oito meses de reclusão; Bruno foi condenado a 15 anos e quatro meses e Lucas foi condenado a 13 anos e quatro meses.

Julgado nesta quinta-feira (22), o réu é acusado de ter ficado do lado de fora da casa da vítima, aguardando o restante do grupo. Aos jurados, ele negou participação no crime. “Se existe o direito de estar na hora errada e no local errado, foi o que aconteceu”, alegou.

O réu agradeceu a oportunidade de se manifestar e disse que está aguardando o júri popular há dois anos. Ele contou que estava na casa de uma prima, na mesma rua da residência de Igor — réu já condenado em julho do ano passado.

De acordo com o depoimento do réu, ele passou a tarde inteira na casa da familiar. À noite, ele soube de uma comemoração na casa de Igor e, quando estava indo embora da residência da prima, passou em frente ao imóvel do amigo.

“Ele estava saindo para o portão, vi que ia descer de carro e pedi carona. Ele me mandou entrar. Quando vi, tinha cinco [pessoas] no banco de trás. Entrei e já estavam todos dentro do carro. Quando desceram, viraram. Eu perguntei, e ele falou que ia receber umas televisões. Chegando lá, desceu todo mundo e eu fiquei no telefone falando com minha mulher, que brigava comigo por ciúmes. Eu falei que queria ir embora a pé mesmo e 50 pararam na frente da casa”, contou o homem, no banco dos réus.

Réu durante o júri popular. (Foto: Léo de França, Jornal Midiamax)

Em plenário, o réu disse que não sabia de nada e reafirmou que estava na hora e no local errados naquele 12 de maio. “Não tinha ciência de nada. Pedi uma carona na hora errada, entrei no carro na hora errada e só fiquei sabendo depois que saiu conversa do que aconteceu”, falou.

O réu é acusado de homicídio qualificado por motivo fútil, recurso que dificultou a defesa da vítima, incêndio e corrupção de menores.

Durante o júri popular desta quinta-feira (22), a vítima lembrou os fatos e contou ter sido agredida com golpes na cabeça, nas costas e nas pernas. “Minha perna deformou, não sinto uma parte. Não lembro do ocorrido, só acordei no hospital”, contou o homem, que ficou 15 dias em coma devido à brutalidade do ataque.

Vítima prestando depoimento. (Foto: Léo de França, Jornal Midiamax)

Espancamento de morador

Na data do crime, o grupo, que era formado pelos três réus e outros quatro suspeitos, tentava esconder televisores furtados na casa do homem. Ele se apossou dos aparelhos com a intenção de devolvê-los aos proprietários.

Igor avisou os comparsas e o grupo invadiu a residência. Aproveitando que a vítima dormia, usaram uma barra de ferro, socos e pontapés para agredi-la. Em seguida, trancaram o imóvel e o incendiaram.

Vizinhos viram as chamas e conseguiram socorrer o homem, que foi levado para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento Comunitário) Coronel Antonino e sobreviveu.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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