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Transparência

Após denúncia antecipar resultado, Fiems inabilita única empresa da licitação

Entidade chefiada por Sérgio Longen teria beneficiado a MS Energy - Parisi S.A
Gabriel Maymone -
Fiems: denúncia revela suposta fraude e antecipa quem deve ganhar licitação de R$ 20 milhões
Empresário Massimo Parisi em conversa com o ex-diretor da Fiems, Jaime Verruck, e com Sérgio Longen. (Reprodução)

A Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) inabilitou a única empresa a concorrer em licitação para compra de usina solar, após denúncia protocolada no MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) antecipar possível resultado do certame.

Conforme informações do portal de compras da entidade chefiada por Sérgio Longen, no dia da abertura das propostas, 8 de outubro, foi informado que apenas uma empresa (não identificada) havia apresentado lance, no valor de R$ 18 milhões.

Então, a comissão de licitação iniciou a fase de ‘julgamento’ da proposta. Na manhã desta quinta-feira (22), consta a seguinte mensagem: “Situação, Em Recurso (Fracassada)”.

Conforme as próprias regras de licitações da Fiems, a comissão de licitação inabilitou a única participante, que entrou com recurso, atualmente sob análise.

No dia 8, portal de compras da Fiems informava que apenas uma participante enviou lance, de R$ 18 milhões; agora, licitação consta com situação ‘em recurso (fracassado)’. (Reprodução, Fiems)

Ouvidoria do MP encaminhou denúncia

Denúncia registrada no dia 7 de outubro, um dia antes da licitação, adiantava o possível vencedor do procedimento da entidade para comprar uma usina solar no valor de R$ 18 milhões.

Conforme ofício assinado pelo ouvidor do MP, promotor de Justiça Renzo Siufi, o caso foi encaminhado para análise de uma promotoria de Justiça “para o devido conhecimento, análise e eventuais providências cabíveis“.

No documento, o ouvidor cita a Resolução nº 9/2026-CPJ, que estabelece que, quando a denúncia envolver fato sobre o qual o Ministério Público tenha o dever e a legitimidade para agir, o ouvidor determinará a remessa ao órgão de execução competente.

O denunciante afirmou que o vencedor da licitação seria a Usina San Vito Solar (CNPJ 53.326.173/0001-60). A empresa foi criada pelo empresário Massimo Parisi, dono da MS Energy – Parisi S.A. (CNPJ 08.075.240/0001-67), em dezembro de 2023, com capital social de R$ 8.422.034,00.

No entanto, em maio de 2026 — cinco meses antes da licitação —, ele passou o controle da empresa para uma pessoa com vínculo próximo (identificação suprimida por ordem judicial).

Denúncia fala em manobra

Sérgio Longen lançou licitação para comprar usina de geração de energia solar. (Divulgação, Fiems)

A MS Energy, de Massimo Parisi — que seria o beneficiário da licitação —, entrou com pedido de recuperação judicial em fevereiro, alegando passivo de R$ 56,9 milhões e dificuldades para honrar compromissos com bancos.

Segundo a denúncia que será apurada pelos promotores do MP, o empresário Massimo Parisi teria feito um acordo com o presidente da Fiems, Sérgio Longen, para favorecer a venda de uma usina solar à entidade.

O denunciante afirma ao MP que teria ouvido conversas entre Massimo e Longen “discutindo divisão de valores oriundos do faturamento da MS ENERGY, o que me causou estranheza, visto que não estão no contrato social do grupo”, diz trecho da manifestação.

Agora, caberá ao MP analisar se o edital da Fiems teria sido elaborado por um engenheiro da MS Energy para incluir especificações técnicas que impeçam outras empresas de vencer a disputa e garantam a vitória da San Vito, conforme informado na denúncia.

Ligação com diretoria da Fiems

Vice-presidente da Fiems, diretor do projeto Em Conta, Crosara Júnior, e o empresário Massimo Parisi. (Reprodução, Instagram MS Energy)

Na documentação apresentada pela própria empresa à Justiça, em sua recuperação judicial, consta como cliente, com valores a receber de R$ 700 mil, o vice-presidente da Fiems, Luiz Gonzaga Crosara Júnior.

Crosara aparece como administrador do CNPJ criado pela Fiems para o projeto ‘Em Conta Energia Renovável’ (32.050.357/0001-70), da entidade, para vender energia solar gerada por usinas pertencentes ao programa para consumidores.

Também teria valores a receber — de R$ 217 mil — a Alira Empreendimentos e Participações Ltda. (CNPJ 48.411.366/0001-80), que detém parte da Usina Flor do Campo, em Anastácio, e tem como controlador Jaime Verruck, ex-diretor da Fiems.

Vale ressaltar que a Fiems recebe recursos parafiscais, de natureza pública, transferidos da Receita Federal, que devem alcançar os R$ 60 milhões somente este ano.

A CGU (Controladoria-Geral da União) já adiantou que pode incluir denúncias de suspeitas de fraudes em licitações de tecnologia, denunciadas recentemente pelo Jornal Midiamax, na próxima auditoria sobre o Sistema S em Mato Grosso do Sul.

Silêncio sobre denúncias

A reportagem procurou a MS Energy para se manifestar diante da denúncia. Entramos em contato por telefone e fomos informados de que uma pessoa entraria em contato, o que não ocorreu até a publicação desta matéria. Também fizemos os questionamentos por meio do WhatsApp oficial, bem como através de e-mails cadastrados na Receita Federal e pelos perfis nas redes sociais.

O Jornal Midiamax também procurou a atual controladora da San Vito Solar e a Parisi S.A., mas não obteve retorno.

Também procuramos a Fiems, através de e-mails institucionais devidamente registrados, bem como a assessoria jurídica da entidade para obtermos posicionamento sobre a denúncia. No entanto, não houve resposta.

A reportagem procurou Crosara para comentar a relação com a MS Energy e se não haveria um possível conflito de interesse, caso houvesse a participação da MS Energy ou de empresas ligadas ao empresário Massimo Parisi na licitação, além de esclarecer se ele teve alguma participação na elaboração do edital. Não obtivemos retorno.

Também buscamos Jaime Verruck, ex-secretário de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, sobre a ligação dele e da Alira com a MS Energy. Da mesma forma, não recebemos resposta.

Vale ressaltar que o espaço segue aberto para manifestações e o texto será atualizado assim que houver retornos.

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(Revisão: Nichole Munaro)

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