A Justiça indeferiu o pedido de revogação da prisão preventiva de Alir Terra Lima Nery, ex-presidente da Santa Casa de Campo Grande, determinando a manutenção da custódia decretada pelo Núcleo de Garantias. A decisão foi publicada no Diário da Justiça desta quinta-feira (22).
Além de negar a soltura, o juízo rejeitou os pedidos subsidiários apresentados pela defesa, que pleiteavam a substituição do encarceramento por prisão domiciliar ou a aplicação de medidas cautelares diversas. O indeferimento baseou-se na constatação da subsistência dos fundamentos cautelares analisados no processo.
Crise de ansiedade
Neste mês, após ficar internada em hospital particular por uma crise de ansiedade, Alir recebeu alta e retornou ao Presídio Militar, em Campo Grande.
Ré por desvios milionários na Santa Casa durante sua gestão, Alir Terra, de 71 anos, aguardava decisão do novo pedido de liberdade ou de prisão domiciliar humanitária. “São dois atendimentos de urgência em três dias”, disse a defesa à época dos pedidos.
O advogado de Alir citou o caso de Rinaldo Romano, ex-diretor financeiro do hospital, que teve prisão domiciliar concedida por questões de saúde.
Alir passou mal e foi internada em um quarto-apartamento de um hospital particular de Campo Grande. Os médicos atestaram diagnóstico de ansiedade generalizada, com quadro de hipertensão e vômitos.
Renunciou ao cargo após prisão
Alir assinou a carta de renúncia no dia 15 de setembro, quatro dias após ser presa em operação contra um esquema de corrupção no maior centro médico de Mato Grosso do Sul. A saída dela provocou uma dança das cadeiras até o conselho administrativo escolher um novo presidente.
No documento, ao qual o Jornal Midiamax teve acesso em primeira mão, a ex-presidente justificou que era melhor permitir uma gestão plena, por conta da prisão dela.
Ela também abriu mão do cargo de conselheira, mas esclareceu que continua associada ao hospital. Alir citou uma frase, sem identificar a autoria, ao encerrar a carta: “Que o doente, na Santa Casa, jamais seja visto como objeto de lucro”.
Antidotum prendeu parte da cúpula da Santa Casa por desvios milionários
No dia 11 de setembro, o Gecoc e o Gaeco prenderam a ex-presidente da Santa Casa, Alir Terra, os ex-diretores Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa (diretor-adjunto de finanças do hospital), Rinaldo Hakme Romano (ex-diretor financeiro), Alessandro Dias Junqueira (ex-diretor administrativo) e Monique Gregório de Oliveira (coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística).
As apurações miram irregularidades na contratação e execução de um contrato celebrado entre o hospital e a empresa Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços Ltda., destinado à digitalização e reorganização do acervo de prontuários médicos e documentos administrativos da instituição.
A acusação aponta que a contratação teria sido aprovada de forma direcionada, sem o quórum necessário, e que repasses à empresa eram priorizados mesmo sem a devida prestação dos serviços contratados.
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(Revisão: Nichole Munaro)








