Nesta quinta-feira (23), a Receita Federal se manifestou sobre o laudo da PF (Polícia Federal) que não detectou traço algum de cocaína na carga de 230 toneladas de aroeira, apreendida em Corumbá. A PF instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da apreensão.
O Jornal Midiamax solicitou esclarecimentos após a divulgação do laudo da PF. No documento, a PF confirma que não detectou cocaína ou outro tipo de droga na carga de madeira. Inicialmente, a informação é de que a droga estaria impregnada no carregamento.
No entanto, a Receita inicia a nota informando que reteve a madeira após receber informações de inteligência compartilhadas pela DEA (Drug Enforcement Administration), dos Estados Unidos, e pela Felcn (Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico), da Bolívia.
“As informações indicavam fortes indícios de possível contaminação da mercadoria com cocaína”, diz a nota.
Laudo da PF não encontrou cocaína

Assim, após as informações, as equipes internacionais teriam manifestado interesse no retorno dessa carga para a Bolívia. “Tratou-se de uma situação incomum, relacionada a uma carga que já havia ingressado em recinto aduaneiro brasileiro”, aponta a Receita.
Tanto a Receita quanto a Felcn realizaram narcotestes preliminares. Esses resultados apresentavam reação indicativa de possível traço de cloridrato de cocaína.
Por isso, a Receita Federal afirma que reteve a carga e comunicou a Polícia Federal, para adotar as medidas investigativas e periciais. Ainda conforme a Receita, só nesta quinta-feira o órgão soube oficialmente do laudo da PF.
“Segundo a informação encaminhada, todas as amostras analisadas apresentaram resultado negativo para cocaína, bem como para outras substâncias de interesse forense, consideradas as técnicas e metodologias aplicadas”, diz a nota.
Inquérito vai apurar os fatos
Por fim, a Receita afirma que ainda aguarda os laudos do Instituto Nacional de Criminalística. Além disso, ressalta que a PF determinou a instauração de inquérito para prosseguir com as diligências e esclarecer integralmente os fatos.
Desta forma, a carga segue retida, mas os órgãos responsáveis garantem que realizarão reuniões para avaliar o andamento do caso e tomar as providências cabíveis.
“A eventual liberação da mercadoria dependerá da conclusão das análises e dos procedimentos ainda pendentes, bem como da verificação de que não existem outras irregularidades que impeçam o regular prosseguimento da operação aduaneira”, pontua a Receita.
Ainda sobre os custos de armazenagem da carga, que até o momento é bancado pelas transportadoras responsáveis, a Receita aponta que eventual ressarcimento pode ser apresentado por meios administrativos.
Governo boliviano quer explicações
O Governo da Bolívia vai pedir ressarcimento pelos danos econômicos após o laudo oficial da PF descartar a presença de cocaína. A apreensão ocorreu em 21 de junho, durante a Operação Timber Shield, da Receita Federal, em conjunto com os Estados Unidos, a Aduana da Bolívia e o Exército.
Ao todo, foram 230 toneladas de madeira, que estavam em oito caminhões — quatro deles foram interceptados em Corumbá, na fronteira com a Bolívia.
Na época, o delegado da Receita Federal em Cuiabá (MT), Raimundo Mendes, afirmou que seria a maior apreensão de cocaína no Brasil.
No início do mês, a defesa das empresas responsáveis pela carga já havia relatado que a PF não encontrou nenhuma substância. Na quarta-feira (22), a PF divulgou o Laudo nº 27.589/26, produzido nos laboratórios do Setor Técnico-Científico da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul.
“Todos os testes e exames instrumentais descritos resultaram negativos para a presença de cocaína impregnada nas amostras de madeira encaminhadas a exame pericial”, diz o laudo, concluído na última sexta-feira (17).
Após a divulgação do laudo, o Governo da Bolívia anunciou que iniciará ações diplomáticas para exigir explicações e a compensação pelos danos econômicos, segundo a Bolívia TV Oficial.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







