Nesta quarta-feira (22), a divulgação do laudo oficial da Polícia Federal sobre a apreensão de 230 toneladas de aroeira apreendidas há um mês em Corumbá confirma que não havia droga na madeira. No início do mês, a defesa das empresas responsáveis pela carga já havia relatado que a PF não encontrou droga na aroeira.
O Estadão Conteúdo divulgou, nesta quarta-feira, dados do laudo oficial da Polícia Federal. São 11 páginas que confirmam que não havia uma grama sequer de cocaína oculta nas 230 toneladas de aroeira.
A apreensão ocorreu na Operação Timber Shield, da Receita Federal, em 21 de junho. Além da Receita, atuaram na ação o Exército, Estados Unidos e ainda a Aduana da Bolívia. Na época, a Receita divulgou o caso como a maior apreensão de drogas da história.
Laudo confirma que não havia droga na madeira
O laudo 27589/26, produzido nos laboratórios do Setor Técnico-Científico da Polícia Federal em Mato Grosso do Sul, foi concluído em 17 de julho.
“Todos os testes e exames instrumentais descritos resultaram negativos para a presença de cocaína impregnada nas amostras de madeira encaminhadas a exame pericial”, diz o documento.
Logo após a apreensão, os agentes submeteram a reagentes químicos três fragmentos sólidos de madeira comercial, secos, com formato irregular e características anatômicas macroscópicas semelhantes – cor, textura e linhas de crescimento.
Os retalhos de aroeira seguiram como amostras da carga de madeira que estava no semirreboque acoplado a um dos caminhões. A suspeita era de uma possível contaminação de cocaína ou de outras substâncias proscritas, impregnadas no interior ou aplicada em forma líquida na superfície da madeira.
Droga oculta

Segundo o relatório Oropesa (Manual Internacional de Investigação e Controle Químico Antinarcóticos de La Paz), citado no laudo, as técnicas para ocultar drogas evoluíram a ponto de enganarem até os cães farejadores e também os testes com reagentes químicos que alteram a cor do produto.
Com relação à suspeita de que a madeira continha substância entorpecente no interior de suas fibras, os peritos anotaram que a aroeira é amplamente conhecida como uma das mais resistentes para a construção de cercas, currais e estruturas comumente usadas em zonas rurais.
Sendo assim, suas principais características são a alta durabilidade e a grande resistência a ataques de brocas, fungos e cupins. Por isso, a aroeira possui extrema densidade, altíssima dureza e é considerada quase imune ao apodrecimento, mesmo quando fica em contato direto e constante com a terra úmida.
As peças de aroeira (palanques e postes), devido à sua densidade, possuem alta resistência à absorção de umidade, o que torna o material pouco elegível para o uso como matriz de absorção de solução contendo cocaína, argumentam os peritos.
Os exames foram realizados no laboratório de Química Forense do Setor Técnico-Científico e no laboratório do Instituto de Análises Laboratoriais Forense (IALF) da Coordenadoria Geral de Perícias para análises instrumentais complementares.
Cães farejadores e coleta de amostras
Ainda como mostra o lauto, a inspeção foi efetuada em campo com auxílio de cães farejadores, treinados pela Marinha/3.º Batalhão de Operações Ribeirinhas. Também foram mobilizados soldados da 18.ª Brigada de Infantaria do Pantanal para movimentação da carga e do 3.º Grupamento Bombeiro Militar, para operação de motoserras e coleta de amostras da madeira.
Os cães farejadores não indicaram a presença de material entorpecente. Foram, então, selecionadas algumas peças, de forma aleatória, e com o auxílio de motoserras e furadeiras a equipe recolheu outras nove amostras. Os peritos usaram um espectrômetro com laser de comprimento de onda e teste de Scott – exame químico diretamente sobre o pó de madeira e em pontos diversos dos fragmentos sob análise.
“Os exames realizados nas amostras recebidas e coletadas resultaram negativos para a presença da substância cocaína ou de outras substâncias consideradas entorpecentes”, afirma o laudo.
O restante das porções foi lacrado em envelope de segurança para envio ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília. Em uma última resposta ao Midiamax, a Receita Federal confirmou que aguarda o laudo do instituto em Brasília.
Sem laudo oficial

Na segunda-feira (20), a Receita Federal informou que ainda não foi emitido o laudo oficial; no entanto, a carga que é objeto de investigações continua retida. Já os caminhões que estavam transportando o material foram liberados.
Conforme noticiado anteriormente pela reportagem do Midiamax, na megaoperação denominada Timber Shield, não houve prisões em MS. Na ocasião, o delegado da Receita Federal em Cuiabá (MT), Raimundo Mendes, afirmou que, se confirmada, será a maior apreensão de cocaína realizada no Brasil.
Já a defesa de duas empresas nega qualquer tipo de ilícito na carga. “As diligências policiais tiveram por objetivo justamente aprofundar as investigações e submeter o material apreendido a exames periciais mais específicos, evidenciando que, naquele momento, não havia conclusão definitiva acerca da existência de entorpecente, tampouco qualquer comprovação da participação de eventuais envolvidos em atividades criminosas”, diz trecho da nota.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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