O bisavô da pequena Lauren Plácido Rodrigues, de 1 ano e oito meses, questiona o atropelamento causado por um suposto amigo dos pais da bebê. Lauren foi atropelada na última quinta-feira (26), no bairro Nova Lima, em Campo Grande, e morreu no sábado (28).
Ao Jornal Midiamax, o bisavô da bebê recordou os últimos momentos vividos ao lado dela. Mesmo sendo uma bebê, ele ouviu Lauren reclamar de dor. “Ela não chorou, peguei ela no colo, ela dizia ‘Ai, ai, ai, vovô, dói demais, vovô’. Meu Deus! Parece que eu ia morrer junto, eu não consegui ver ela no caixão, só de longe. Não fui no enterro, não aguentei”, relatou o idoso, aos prantos.
A bisavó também lembrou de Lauren durante a entrevista do companheiro à reportagem. “Os dentinhos dela estavam começando a nascer e alguns quebraram devido ao atropelamento. Eu estava junto com a mãe dela no parto, pois é como se fosse filha”, comentou.
‘Negligência pura’
Para o bisavô, a pequena foi vítima de negligência médica. Lauren teve alta da Santa Casa mesmo com fratura na costela. “Liberou ela machucada, se tivessem olhado e feito um exame detalhado, como que você vai passar numa máquina daquela e num vai ver [intercorrência]? Vai ver teu corpo inteiro. É negligência pura!”, pontuou.
O bisavô também mostrou sua indignação sobre o atropelamento, que teria sido provocado pelo amigo dos pais da vítima. Ela estava no colo do pai quando foi atingida pelo motociclista, que estaria empinando o veículo no momento do acidente.
“Como você deixa um filho seu para proteger teu amigo? Uma criança ainda. Protege teu amigo e deixa sua filha morrer? Onde já se viu uma coisa dessa? Se o amigo deles estava junto, está protegendo ele, e não a criança”, questionou.
Agora, ele espera que o acidente e o atendimento médico prestado à bebê sejam esclarecidos. “Sobre o acidente e a parte da Santa Casa, nós queremos esclarecimento e justiça!”, cobrou.
Bebê teve alta da Santa Casa mesmo com fraturas
Lauren estava com uma fratura na costela e foi liberada do hospital antes de passar mal novamente. Conforme o boletim de ocorrência, a mãe da criança relatou que a filha recebeu alta médica no dia seguinte ao acidente, ou seja, na sexta-feira (27). Outro familiar informou ainda que Lauren deu entrada no hospital à noite e recebeu alta momentos depois.
Contudo, na manhã de sábado (28), a bebê voltou a passar mal, apresentando febre alta e vômitos. Assim, ela foi encaminhada para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Coronel Antonino.
Lá, passou por exames e a equipe constatou uma fratura na costela e também uma lesão na cabeça. Com isso, mais uma vez, a criança foi transferida para a Santa Casa, onde não resistiu e morreu na noite de sábado (28).
Conforme informações obtidas pelo Jornal Midiamax, o Conselho Tutelar da região norte não havia recebido denúncia de maus-tratos contra os pais da bebê.
O que diz a Santa Casa?
A reportagem do Jornal Midiamax acionou a Santa Casa de Campo Grande; porém, foi informada de que, devido à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), não seria possível o repasse de informações sobre o paciente em questão.
“A instituição conta com um Núcleo Interno de Segurança e Qualidade, responsável por avaliar os atendimentos realizados e verificar eventuais inconsistências nos processos. Esse núcleo atua de forma técnica e independente, garantindo que os protocolos sejam seguidos e que possíveis falhas sejam identificadas.
É importante destacar que o núcleo não possui caráter deliberativo ou punitivo. Sua função é voltada para a análise e aprimoramento contínuo dos serviços prestados, sempre com foco na segurança do paciente e na qualidade do atendimento.”
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







