Gilberto Jarson voltou a se declarar inocente durante o seu depoimento na segunda audiência de instrução e julgamento da morte da subtenente da PM (Polícia Militar) Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, que aconteceu na tarde desta segunda-feira (13), no Fórum Heitor de Medeiros, em Campo Grande. O réu está preso desde o dia 6 de abril, quando a militar foi encontrada morta no bairro Estrela Dalva.
Em seu depoimento, Gilberto afirmou mais uma vez que é inocente, ou seja, que não foi o autor do disparo a atingir a subtenente. Ainda, afirmou que teria pedido para Marlene não cometer o suposto suicídio.
“Vi ela com o revólver na mão esquerda. Falei: ‘Não, Marlene’. Pulei em cima dela e ela disparou. Na hora em que bati a mão para puxar, a arma disparou. Se eu for condenado, vou ser condenado inocente”, disse Gilberto.
Afirmou ainda que ficou abalado na data do crime, uma vez que a subtenente teria morrido em seus braços. “Eu estava muito abalado. A Marlene morreu nos meus braços. Se eu for condenado, [será] a primeira vez em Mato Grosso do Sul [que] alguém vai estar sendo punido inocentemente”, afirmou o réu.

Suicídio
A defesa de Gilberto Jarson, representada pelo advogado Jeferson Soares, afirma que o caso é suicídio e vai seguir a defesa justamente nesta linha. “Vamos trabalhar que ela tentou o suicídio; vamos seguir nessa linha desde o início”, afirmou a defesa.
O réu afirmou que a Marlene já teria jogado álcool no próprio corpo, na intenção de retirar a própria vida. Inclusive, disse que ela teria gravado um vídeo também: “Eu a ouvi gravando; ela me mostrou; falei pra ela não mandar isso para os filhos e ela apagou”, disse o réu.
Ainda, durante o depoimento da irmã do réu, ela afirmou que atendia Marlene em seu salão de beleza. Por lá, a vítima já teria relatado a intenção de tirar a vida também.
“Duas semanas antes, ela me disse que estava fazendo tratamento com psiquiatra, estava tomando remédio porque estava com depressão. Ela me falou uma vez no salão que estava depressiva, que se meu irmão largasse ela, ela iria se matar. Também que fez um vídeo com a pistola na cabeça, dizendo que iria se matar”, disse a irmã.

O caso
A militar foi morta a tiros na própria casa. Conforme a apuração do Jornal Midiamax na data da morte, o tiro que atingiu Marlene foi na região do pescoço. O principal suspeito é Gilberto Jarson, então namorado da mulher, que apresentou versões contraditórias sobre o caso.
Conforme detalhes da PM (Polícia Militar), um vizinho policial foi o primeiro a chegar ao local do crime. Outra vizinha ouviu o tiro e comunicou ao militar, que foi até a casa e encontrou Gilberto com as mãos ensanguentadas.
Segundo o soldado, ele questionou o suspeito sobre Marlene, mas Gilberto não respondeu. Como o portão estava trancado, o policial solicitou que o homem abrisse, mas ele demorou. Por isso, o militar pulou o muro da casa.
Gilberto estava falando ao telefone, com a arma na mão direita. Então, o PM ordenou que o namorado de Marlene soltasse a arma, um revólver, e ele a colocou em cima de um baú.
Quando o vizinho entrou na casa, Marlene ainda tinha sinais vitais. Então, ele acionou socorro via 192, 193 e 190, mas ela não resistiu. Além do policial, vizinhos confirmaram que as brigas entre o casal eram frequentes.
Uma testemunha chegou a dizer que ouvia sempre Gilberto gritando com Marlene e que, em determinada ocasião, ouviu a mulher gritar por socorro.
Após os fatos, equipes do 9º Batalhão da PMMS foram acionadas e estiveram no local. Aos policiais, Gilberto deu versões diferentes dos fatos. Em determinado momento, disse que ligou para a polícia após o tiro e mostrou o celular. Então, os militares identificaram também uma chamada para o advogado do suspeito.
Gilberto afirmou que a ligação ocorreu porque tinha provas de que a vítima “manifestava intenção de cometer suicídio”. Disse, ainda, que não houve discussão ou desentendimento na data dos fatos.

📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
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As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)







