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Transparência

Justiça tenta achar ‘peça-chave’ de fraudes no Detran-MS e adia depoimento de réus por tempo indeterminado

Dono de caminhão que descortinou esquema de fraude não foi encontrado pela Justiça
Fábio Oruê, Dândara Genelhú -
Réus David Chita e Yasmin Osório. (Mateus Andrade/Arquivo, Jornal Midiamax)

A Justiça insistiu na oitiva de uma testemunha que é ‘peça-chave’ das fraudes no Detran-MS (Departamento de Trânsito de Mato Grosso do Sul), as quais têm como cabeça o despachante David Cloky Hoffamann Chita — alvo de várias ações por corrupção dentro do órgão.

Em audiência realizada nesta segunda-feira (13), no Fórum de — ocasião em que apenas uma pessoa foi ouvida —, a juíza Eucélia Moreira Cassal, da 3ª Vara Criminal de Campo Grande, pediu que fosse encontrado o dono do caminhão que descortinou o esquema de fraude — e ainda não foi localizado pela Justiça.

Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, a PM (Polícia Militar) vai tentar localizá-lo para trazê-lo coercitivamente na próxima audiência — que será marcada quando ele for encontrado. Com isso, as oitivas dos réus — as últimas a serem feitas — vão ficando para depois.

Réus ainda serão ouvidos

As audiências já duram desde o começo do ano, e a expectativa era de que os réus — além de David, outros dois despachantes e a ex-servidora Yasmim Osório Cabral — já fossem ouvidos em maio. Constam como réus os despachantes Hudson Romero e Edilson Cunha.

Entretanto, a juíza precisou adiar a audiência por falta de algumas testemunhas. Isso porque não compareceram ao encontro naquele mês algumas testemunhas arroladas, que necessitariam de condução coercitiva — quando a pessoa é intimada, mas se recusa a comparecer.

Conforme apurado pelo Jornal Midiamax, isso aconteceu porque a Polícia Militar afirmou estar sem efetivo para conduzir os depoentes até o Fórum de Campo Grande. 

David e Yasmin chegaram a ser presos no decorrer do processo, mas estão em liberdade. O despachante ainda utiliza tornozeleira eletrônica. Apenas David possui testemunhas de defesa.

Defesa de Yasmin pode ‘enrolar’ sentença

Como já antecipado pelo Jornal Midiamax, conforme o advogado que representa Yasmin, Ewerton Belinati, um pedido para reabertura do prazo para apresentar nova defesa deve ser solicitado.

O pedido já havia sido negado, mas o advogado diz que “será novamente apresentado, oportunamente, nas alegações finais”.

A estratégia pode ‘enrolar’ uma sentença, já que o pedido terá de ser analisado pelo juiz e pelo MP. Caso seja acolhido, o processo ‘volta no tempo’ e poderá haver necessidade, por exemplo, de marcar novas audiências para ouvir outras possíveis testemunhas.

Atualmente, o processo está em fase de audiências para ouvir testemunhas. No dia 14 de abril, a juíza ouviu as testemunhas de defesa de David.

A reportagem tentou ouvir o advogado de David, mas não obteve retorno até o momento. Anteriormente, ele havia dito que não se manifestaria sobre o processo, por estar em sigilo.

Dupla é acusada de operar esquemas no Detran-MS

Conforme investigação do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado), David teria conseguido liberar documentações de veículos com restrições. Yasmin recebia propina para, clandestinamente, dar baixas em caminhões com restrições, em fraude cometida em conjunto com o despachante David Cloky Hoffaman Chita.

De acordo com o relatório de investigação policial, que está em sigilo, mas ao qual o Jornal Midiamax teve acesso, David pagava Yasmin pelos serviços. Foi apurado que ela ganhou um iPhone 15 Pro Max — que foi entregue a ela em uma cesta dentro do Detran-MS —, joias e eletrônicos, como ar-condicionado e televisão, além de valores em dinheiro e no Pix.

A primeira audiência do caso aconteceu no fim de janeiro. Na ocasião, as defesas de David e Yasmin preferiram não dar muitos detalhes.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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