Trajetória: Bernal furou a bolha política em Campo Grande e morreu na véspera do aniversário Pular para o conteúdo
Política

Trajetória: Bernal furou a bolha política em Campo Grande e morreu na véspera do aniversário

Ex-prefeito era radialista, estava preso e morreu após cirurgia cardíaca
Gabriel Maymone -
Alcides Bernal após sessão que resultou em sua cassação. (Arquivo, Jornal Midiamax)

O primeiro prefeito cassado da história de , Alcides Bernal, morreu na madrugada desta segunda-feira (13), vítima de infarto após sofrer trombose em uma artéria do coração, um dia antes de completar 61 anos.

Porém, o ex-prefeito será lembrado pelo assassinato do fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, pelo qual estava preso desde o dia 24 de março deste ano. No início do mês, Bernal já havia passado por uma cirurgia cardíaca na Santa Casa. Ele retornou ao Presídio Militar, mas sofreu um infarto no fim de semana e foi levado novamente ao hospital, onde não resistiu.

Corumbaense, Alcides Bernal se formou advogado e ficou conhecido pela voz em programas de rádio em Campo Grande. O sucesso acabou levando-o para a política e, no ano de 2004, foi eleito vereador na Capital pelo PMN, com 4.772 votos. Já em 2006, chegou a lançar candidatura a deputado estadual, mas foi considerado inapto.

Em 2008, conseguiu a reeleição como o vereador mais votado de Campo Grande, com 12.294 votos. Já com mais capital político, Bernal conseguiu ascender à Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), com 26.156 votos para deputado estadual.

Bernal sonhava em ir mais longe e, em 2012, voltou às eleições para tentar ser prefeito de Campo Grande. Ele foi ao 2º turno e acabou vencendo a disputa contra Edson Giroto — que, aliás, passou em frente à cena do crime no dia em que Bernal atirou em Mazzini.

A vitória foi histórica, marcada por quebrar uma hegemonia do grupo político do então PMDB, que governava Campo Grande há 20 anos.

Dois anos após assumir a Prefeitura de Campo Grande, em 2014, Bernal tentou se eleger senador, mas acabou em terceiro lugar, com pouco mais de 204 mil votos.

Vitória meteórica e crise institucional

A passagem pela Prefeitura de Campo Grande foi marcada por polêmicas, a começar pela forte oposição na Câmara, já que Bernal foi eleito em coligação de um partido só. Na época, o sucesso foi tão grande que seu aliado próximo também foi eleito vereador, o Chocolate Jarbas.

No entanto, Bernal acabou brigando com aliados e chegou a demiti-los da Prefeitura, aumentando a crise política.

Desde os primeiros meses de governo, a gestão de Bernal foi marcada por atritos com a Câmara e dificuldades de governabilidade.

Além disso, o radialista teve que enfrentar uma severa epidemia de dengue em Campo Grande. Mais de 13,4 mil casos foram notificados apenas nos primeiros 24 dias de mandato.

Com isso, a saúde na Capital entrou em colapso e Bernal acabou decretando situação de emergência, que seria usada para a cassação dele no ano seguinte.

Cassação

Em março de 2014, com pouco mais de um ano de gestão, Bernal enfrentava o estopim da relação dele com o Legislativo. Os vereadores instauraram uma comissão processante, procedimento que antecede a cassação.

As justificativas foram que Bernal teria cometido irregularidades em contratos emergenciais firmados durante a epidemia de dengue, descumprido regras no remanejamento de verbas, em que o então prefeito teria ultrapassado o limite sem autorização da Câmara, havendo falta de transparência.

Bernal chegou a voltar ao Paço por força de uma liminar judicial, que foi derrubada horas depois. Em agosto de 2015, o TJMS confirmou a liminar e Bernal voltou à Prefeitura.

Declínio político e prisão por homicídio

Ele chegou a concorrer às eleições de 2016 para a Prefeitura, mas não conseguiu ir ao segundo turno, acabando em terceiro lugar, com 111 mil votos. Naquela ocasião, o deputado estadual Marquinhos Trad venceu a disputa contra Rose Modesto.

Depois que deixou a Prefeitura, Bernal não conseguiu voltar ao Paço em 2016. Tentou concorrer a deputado federal em 2018, mas também foi considerado inapto por estar inelegível.

Em outubro de 2025, Bernal voltou a ser destaque nos noticiários locais, mas nas manchetes criminais. A Justiça havia determinado o despejo dele de uma fazenda em por falta de pagamento.

Já em 24 de março de 2026, a polícia foi acionada para uma ocorrência com tiros, em uma casa na Antônio Maria Coelho. Lá, encontraram o auditor tributário Roberto Carlos Mazzini morto a tiro.

crime aconteceu em uma casa que pertenceu a Bernal, mas foi arrematada em um leilão por Mazzini, no ano passado. Na tarde de 24 de março, Roberto foi até lá, na presença de um chaveiro, a fim de tomar posse do imóvel, mas foi alvejado por ao menos dois tiros, que atingiram a região da costela, transfixando-a, e a dorsal da vítima. Após o crime, o ex-prefeito se entregou na delegacia de polícia.

Bernal ficou preso desde então. O ex-prefeito tentou várias vezes conseguir a liberdade na Justiça, mas todas foram negadas.

Inclusive, o primeiro infarto de Bernal foi horas após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) negar outro pedido de liberdade.

Bernal foi pronunciado por homicídio qualificado, cometido por meio cruel e por utilizar um recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ter uma causa especial de aumento de pena devido à idade da vítima, que era superior a 60 anos, e por invasão de domicílio.

O ex-prefeito também foi pronunciado por porte ilegal de arma de fogo, nas modalidades “manter sob sua guarda” e “portar” em relação ao revólver de calibre .38 Special. A prisão preventiva de Bernal também foi mantida pelo juiz.

Sabe de algo que o público precisa saber? Fala pro Midiamax!

Se você está por dentro de alguma informação que acha importante o público saber, fale com jornalistas do Jornal Midiamax!

E pode ficar tranquilo, porque nós garantimos total sigilo da fonte, conforme a Constituição Brasileira.

Fala Povo: O leitor pode falar direto no WhatsApp do Jornal Midiamax pelo número (67) 99207-4330. O canal de comunicação serve para os leitores falarem com os jornalistas. Se preferir, você também pode falar com o Jornal direto no Messenger do Facebook.

(Revisão: Nichole Munaro)

Compartilhe

Notícias mais buscadas agora

Saiba mais
Prefeitura de Douradina

Contrato de R$ 336 mil de Douradina com empresa investigada é alvo do Gaeco

Justiça tenta achar ‘peça-chave’ de fraudes no Detran-MS e adia depoimento de réus por tempo indeterminado

Quatro são presos e um segue foragido por morte de homem na Cachoeira do Inferninho

Câmara cobra Prefeitura de Miranda para ter acesso a contrato de R$ 1 milhão alvo da Operação Gutenberg

Notícias mais lidas agora

Trajetória: Bernal furou a bolha política em Campo Grande e morreu na véspera do aniversário

Prefeitura de Miranda

Estopim da investigação do Gaeco, Miranda pagou R$ 1 milhão para editora investigada

Justiça tenta achar ‘peça-chave’ de fraudes no Detran-MS e adia depoimento de réus por tempo indeterminado

UEMS forma comissões para seleção de mestrados em Mundo Novo e Ponta Porã

Últimas Notícias

Cotidiano

Estado abre licitações para comprar remédios contra o câncer e material de hemodinâmica

Pregões eletrônicos marcados para o dia 24 de julho visam abastecer a rede pública com insumos de alta complexidade.

Polícia

Réu por feminicídio de subtenente da PM volta a alegar inocência: ‘vou ser condenado inocente’

Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, morreu no dia 6 de abril

Cotidiano

ANP lança app para consumidores conferirem qualidade de postos de combustíveis na hora de abastecer

Plataforma também permite que motoristas denunciem irregularidades

MidiaMAIS

Política da boa vizinhança? Recém-chegada não espera recepção e leva flores aos vizinhos

Apesar da fama pouco calorosa que Campo Grande tem, a nova moradora diz que costuma presentear como forma de cordialidade e carinho