Horas após o confronto que terminou com a morte de Moisés Osório Moreira Souza, de 19 anos, no Jardim Tijuca, em Campo Grande, o sentimento que paira entre os moradores é de medo e insegurança. Para quem vive na região, a violência e a presença frequente de pessoas em situação de rua e dependentes químicos viraram parte da rotina, o que leva muitos moradores a evitarem sair de casa durante a noite.
Moradora do bairro há anos, uma mulher de 34 anos afirma que a sensação de abandono é constante. Segundo ela, a presença das forças de segurança é rara, mesmo em uma região que cresce rapidamente, com novos loteamentos e construções.
“Está bem perigoso mesmo. À noite a gente evita sair. Em praticamente toda esquina tem pessoas estranhas, mas polícia é muito difícil de ver por aqui”, relata.
Ela afirma que a área possui muitos terrenos em construção e poucas residências ocupadas, cenário que, segundo os moradores, favorece a concentração de dependentes químicos.
“É uma região que está crescendo bastante, mas ainda tem poucas casas. O que mais se vê por aqui são usuários. Guarda Municipal e polícia fazendo ronda quase não passam”, diz.
Moradores reforçam a segurança

Outra moradora, de 68 anos, vive no bairro há cinco anos e conta que investiu em câmeras de monitoramento e na ronda de um guarda noturno para se sentir mais segura.
“Qualquer barulho, eu olho nas câmeras. Eu não saio de casa. Quando preciso, peço para o guarda noturno dar uma olhada”, afirma.
Apesar de não ter ouvido a movimentação da madrugada, ela descreve a região como marcada pela presença constante de dependentes químicos.
“Tem muitos usuários de drogas. Aqui na rua mesmo e nas proximidades tem bastante. A gente vê muito movimento”, relata.
A aposentada também reclama da falta de policiamento ostensivo e diz que as viaturas costumam aparecer apenas quando acionadas pelos moradores. “Ronda quase não tem. A polícia só aparece quando alguém chama. Fora isso, é muito raro ver alguma viatura passando”, afirma.
Segundo ela, além da insegurança, os moradores convivem com problemas frequentes de perturbação do sossego. “Tem muito barulho por conta dos espaços de eventos. Muita gente quer se mudar por causa disso”, completa.
O confronto

O confronto ocorreu na madrugada deste sábado (6), no cruzamento das ruas Ana Álvares Pires e Dantas Barreto. Moisés morreu após ser atingido por disparos efetuados por policiais do Batalhão de Choque durante uma tentativa de abordagem.
Conforme o registro policial, equipes do Batalhão de Choque realizavam diligências na região do Jardim Tijuca quando tentaram abordar o suspeito. O homem sacou uma arma de fogo e apontou em direção aos militares. Diante da situação, houve reação da equipe, que efetuou disparos. O rapaz foi atingido e morreu no local.
Com ele, os policiais encontraram uma pistola Taurus calibre .40 e uma motocicleta Honda CG 125 Fan preta com registro de roubo.
O caso foi registrado como tentativa de homicídio qualificado contra agentes de segurança pública, porte ilegal de arma de fogo, receptação, resistência e desobediência, além de morte decorrente de intervenção legal de agente do Estado.
Além disso, registros policiais mostram que Moisés tinha 21 passagens, o que incluía tráfico de drogas, receptação, crimes envolvendo armas de fogo, roubo qualificado, falsa identidade, evasão de custódia legal, dano e dano qualificado, violência doméstica e tortura qualificada.
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(Revisão: Nichole Munaro)






