No último dia 8, familiares de Rosenilda de Oliveira Candelario, de 48 anos, receberam um áudio dela desabafando, dizendo que iria embora. A mulher foi assassinada na noite de sexta-feira (17), na Colônia Conceição, em Nioaque, tornando-se a 15ª vítima de feminicídio do ano em Mato Grosso do Sul.
A reportagem do Jornal Midiamax teve acesso ao áudio encaminhado por Rosenilda, carinhosamente conhecida como ‘Rose’, aos familiares. Na mensagem, ela chegou a mencionar que estava partindo.
“Estou indo embora. Eu descobri que nunca servi para nada; só servi para curar feridas das pessoas. Quando as feridas se cicatrizam, eles me deixam. Eu descobri que eu sou essa pessoa, graças a Deus que consegui cicatrizar mais uma ferida, agora a dona Rose tem que ir embora, dona Rose está indo, não mais ainda para onde, mas dona Rose está indo, tá?“, dizia o áudio.
Para a família, Rosenilda, que deixou três filhos, de 25, 26 e 30 anos, estaria se despedindo de alguma forma. “Todos nós acreditamos que ela estava se despedindo de nós. Já sabendo de algo”, disse a filha Renata Candelaria Djalma, de 25 anos.
A filha afirmou que, na casa da mãe, após a liberação da perícia, ela e os irmãos encontraram uma mala no chão com roupas; além disso, as cobertas dela estavam todas dobradas. “Minha mãe estava com as coisas dela arrumadas. Eu fui lá e tinha uma mala no chão com as roupas, cobertas dela, todas dobradas. Para todos da nossa família, minha mãe estava se despedindo.”
Ainda, Rosenilda já teria demonstrado para a família que não estava feliz ao lado de Antônio, apontado pelo feminicídio. Segundo a filha, o casal estava morando junto há cerca de um ano.
“Ela me dizia que o casamento não era o que ela imaginava que ia ser. E que ela não iria aceitar aquele tipo de coisa da parte dele. Acredito eu que ele a traiu ou ela desconfiava de algo”, disse.

Pessoa alegre
A filha de Rose descreveu a mãe como uma pessoa alegre e chegou a mencionar que ela amava churrasco.
“Minha mãe era uma mulher alegre, muito vaidosa. Acordava de manhã, passava um batom e seguia a vida dela. Minha mãe gostava muito de churrasco, nada de tristeza com ela”, disse.

Feminicídio
Rosenilda de Oliveira Candelário foi morta a tiros na noite de sexta-feira (17), na Colônia Conceição, em Nioaque. Rosenilda estava com Antônio Marcos da Silva e com Reginaldo, também morto a facada pelo suspeito, que seria o marido da mulher. Os três estavam consumindo bebida alcoólica em um churrasco. O caso é investigado como feminicídio e homicídio.
De acordo com moradores da região, a polícia foi acionada após vizinhos escutarem disparos de tiro. O registro policial aponta que cinco tiros foram ouvidos.
Quando a equipe chegou ao local, encontrou Rosenilda já sem vida, sentada em uma cadeira na varanda de sua casa, local que funcionava também como um bar. Foram constatadas duas lesões na região da cabeça, compatíveis com disparos de arma de fogo.
Já Reginaldo foi encontrado caído nas proximidades do bar na Agrovila, com aproximadamente oito perfurações na região do tórax, possivelmente de facadas.
Arrependimento
Ao se entregar à polícia, Antônio se disse arrependido de ter cometido o crime. Segundo o rapaz, ele cometeu o assassinato depois de perder a cabeça com a situação. Por esse motivo, decidiu se entregar.
No dia do crime, o homem havia fugido a pé após o ocorrido.

📍 Onde buscar ajuda em MS
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira está localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana.
Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal. É possível ligar para 153.
☎️ Existem ainda dois números para contato: 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190. Importante lembrar que a Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
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⚠️ Quando a Polícia Civil atua com deszelo, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)








