Vereador de Campo Grande, Dr. Lívio Leite (União) espera que a venda do Consórcio Guaicurus para outra empresa se converta em melhorias para a população com a troca da frota sucateada. A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), anunciou no início da tarde desta terça-feira (21) que uma empresa de Goiás, a HP Mobilidade, deve passar a comandar o transporte coletivo. O parlamentar afirma que este é o momento de “virar definitivamente a página” do transporte coletivo da Capital.
“A questão é saber se isso realmente vai se concretizar. Eu espero que haja a mudança, mas que a mudança venha com a troca da frota. Pelo menos 235 ônibus novos têm que ser entregues para Campo Grande, e o cidadão campo-grandense não pode pagar essa conta, não pode ter aumento de tarifa. Tem que ter a troca dos ônibus sem aumento de tarifa”, defende.
Durante a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Consórcio Guaicurus, realizada em 2025 pela Câmara de Vereadores, eram 197 veículos vencidos na época. Para o vereador, que foi o presidente da CPI e atualmente preside a Comissão de Transporte e Trânsito, o aumento representa a precariedade na prestação de serviço.
“Defendemos que qualquer processo de reestruturação do sistema ocorra sem aumento da tarifa pública para o cidadão, preservando o interesse da população e garantindo que o transporte coletivo seja tratado como uma política pública essencial”, afirma.
Venda do Consórcio
Adriane foi comunicada oficialmente sobre a comercialização do Consórcio em reunião nesta terça-feira. “Hoje é mais um passo sendo dado dentro da intervenção”, afirmou. Há anos, a empresa é criticada pela má gestão do serviço prestado em Campo Grande.
Ainda conforme a prefeita, o próximo passo é aguardar a anuência do poder público, que agora passa a cobrar as mudanças necessárias, após uma CPI e, mais recentemente, o início do processo de intervenção.
“Vejo essa notícia com bons olhos para a reestruturação do transporte de Campo Grande”, disse. A informação surge um dia após o Consórcio Guaicurus conseguir, temporariamente, bloquear o acesso dos interventores a R$ 46 milhões que estão em uma conta da empresa.
Venda teria começado há meses
Rumores sobre uma possível venda do Consórcio Guaicurus ganharam força em abril, quando os próprios funcionários começaram a observar movimentações fora do comum nas empresas e garagens consorciadas.
Na época, a reportagem do Jornal Midiamax confirmou que o conglomerado de empresas que detém concessão bilionária passou por uma auditoria externa, chamada de ‘due diligence‘ — uma espécie de raio-X da saúde financeira da empresa.
Esse seria o primeiro passo em um processo de venda. Normalmente, um relatório auditado serve como referência em negociações de empresas, pois contém análise profunda sobre a empresa e serve para basear processos de venda.
Além disso, estudos de impacto ambiental também teriam sido feitos. Ao longo dos últimos meses, fontes de dentro do Consórcio Guaicurus, ouvidas pela reportagem, confirmaram que o assunto era tratado entre funcionários.
“A conversa que circulou hoje é de que uma empresa vai assumir a operação, que vai trazer 100 veículos usados para substituir os mais críticos”, disse um funcionário, o qual preferiu manter o anonimato, em maio deste ano.
Intervenção pressiona o Consórcio
Em 17 de dezembro de 2025, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, determinou a abertura de processo para avaliar possível intervenção no Consórcio Guaicurus.
As empresas assumiram o transporte público da Capital em outubro de 2012 e, desde então, enfrentam duras críticas pela má qualidade do serviço oferecido. Nesse intervalo de tempo, o Consórcio Guaicurus já foi alvo de diversas CPIs, que sempre ‘terminaram em pizza’. A mais recente, no ano passado, teve relatório encaminhado ao MPMS, onde o caso está parado.
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(Revisão: Dáfini Lisboa)









