Sexta Turma do STJ (Supremo Tribunal de Justiça) negou o pedido de liberdade do cardiologista João Jazbik Neto apontado como autor do feminicídio da fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, no bairro Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (16).
O médico cardiologista de 78 anos voltou a ser preso no último dia 03 deste mês, em cumprimento de mandado de prisão expedido pela 1ª Câmara Criminal. O desembargador Emerson Cafure, da 1ª Câmara Criminal, foi quem revogou a liminar que havia concedido liberdade ao médico.
Em agosto, o cardiologista foi denunciado por feminicídio e por outros três crimes. Ele também cometeu os crimes de posse irregular de arma de fogo de uso permitido e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.
Laudo apontou feminicídio
O laudo necroscópico concluiu que a causa da morte de Fabíola foi traumatismo crânioencefálico por ação perfuro-contundente, enquanto o laudo pericial no local do crime concluiu que houve feminicídio.
“O denunciado praticou o crime mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, pois, segundo a dinâmica reconstruída a partir dos vestígios periciais, a vítima foi inicialmente atingida por golpe que a fez cair de joelhos; vindo a cair ao solo, em seguida, sofreu novo golpe, que lhe reduziu significativamente a capacidade de reação. Posteriormente, já caída, teve a cabeça levantada e foi atingida pelo disparo fatal”, consta na denúncia.
O médico foi denunciado por feminicídio com agravante que dificultou a defesa da vítima, fraude processual e posse de arma de fogo de uso restrito.
Relembre
Fabíola foi encontrada morta com um tiro na cabeça em sua casa, uma propriedade no bairro Chácara dos Poderes, em Campo Grande. A mulher morava com o marido quando foi encontrada sem vida, no dia 18 de maio deste ano. Na ocasião, o médico chegou a acionar a polícia e alegou que a esposa teria cometido suicídio.
Ao chegarem ao local, os militares encontraram o marido da vítima e equipes do Corpo de Bombeiros, que já haviam constatado o óbito. Aos policiais, o médico disse que a esposa fez atividades de rotina matinal e, em determinado momento, foi para o andar superior da casa, onde fica o quarto do casal.
Na ocasião, o médico contou ter estranhado a demora de Fabíola e decidiu subir para verificar a situação. Quando chegou, alegou ter encontrado a porta do quarto fechada. Ele bateu à porta, mas não foi respondido.
Em seguida, o cardiologista desceu até a cozinha e ligou para Fabíola, mas ela não atendeu. Pouco tempo depois, ele disse ter ouvido um disparo de arma de fogo e retornou ao andar superior, momento em que viu a porta do quarto aberta e a companheira caída ao chão. Ele não soube precisar o horário exato.
Segundo o registro policial, o médico acionou seu ex-caseiro, que chegou ao imóvel pelos fundos. Logo, ele e os atuais caseiros foram até o quarto e acionaram o 190.










