O técnico de enfermagem de 28 anos foi flagrado por câmeras de segurança torturando um adolescente, em Campo Grande. O crime aconteceu no início de julho, mas o técnico foi preso somente na quinta-feira (16), após pedido de prisão preventiva feito pela Depca (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), que investiga o caso.
O adolescente possui deficiência severa e tem encefalopatia crônica. Ele é deficiente visual, não fala, não anda e não se senta. Portanto, a cama da vítima fica na sala, juntamente com a cadeira de rodas, ambiente onde tudo aconteceu.
Ao Jornal Midiamax, a mãe do adolescente contou que o filho começou a ter várias convulsões desde o fim de abril. Por isso, foi ao médico neurologista, pensando que fosse por conta da adolescência.
Após a ida ao médico, as medicações foram trocadas, mas o adolescente continuou tendo convulsões. Em determinado momento, o namorado da mãe da vítima observou que a alteração no comportamento e as convulsões ocorriam nos dias em que o técnico estava na casa.
“Ele observou que eram nos dias em que o técnico ficava aqui. Meu filho acordava gritando e as convulsões ocorriam no período noturno”, relatou.
Em uma das idas do adolescente à fisioterapia, a família foi avisada de que havia algo estranho. Naquele dia, a mãe estava na faculdade por conta da semana de provas, mas retornou para casa para entender a situação.
“Quando cheguei, percebi que ele estava diferente, estranho… Faltavam 30 minutos para o técnico ir embora, então o liberei e fui olhar as imagens da câmera. Quando olhei, percebi que ele dava tapas na cabeça do meu filho e tapas no rosto. Percebi que ele deixava meu filho de cabeça para baixo no sofá e, por conta disso, ele teve broncoaspiração de saliva”, contou a mãe.
Além da agressão, o técnico foi flagrado fumando cigarro perto do adolescente. Diante disso, o menino voltou a ter crises de asma, que estavam controladas há algum tempo.
Técnico atendia adolescente há 8 meses
O técnico de enfermagem atendia o adolescente há cerca de oito meses e era contratado por uma empresa terceirizada, que presta serviços para a família da vítima desde 2017. Logo que percebeu a agressão, a mãe do menino informou a empresa, explicou que adotaria as medidas cabíveis e foi até a Depca registrar boletim de ocorrência.
À reportagem, a mãe do paciente disse que confiava muito no técnico e, inicialmente, não acreditou que aquilo estava ocorrendo. “Ele era maravilhoso, não tinha o que reclamar, adorava meu filho. Num primeiro momento, não acreditei, porque eu confiava muito nele; sempre brincava quando precisava sair. Eu falava: ‘Cuida bem do meu filho, do meu bem precioso’, e ele respondia: ‘Tá comigo, tá com Deus’. Eu confiava muito. Não sei nem descrever; não estava acreditando naquilo que estava vendo”, desabafou a mãe.
Antes de tudo acontecer, o adolescente ficava alegre ao ouvir a voz do técnico quando chegava em sua casa. Hoje, ele entra em crise só de ouvir o nome do suspeito.
“Quando meu filho ouvia a voz dele, já expressava felicidade. Hoje não pode ouvir o nome dele, que entra em espasmos, começa a tremer, tem várias sequelas. Era uma pessoa que tratava com amor, carinho, brincava e passeava com meu filho. E, do nada, começou a fazer esse tipo de coisa, ainda mais sabendo das condições do meu filho”, lamentou a mãe do adolescente.
Ao tomar conhecimento dos fatos, a Depca representou pela prisão preventiva do suspeito, que foi deferida pelo Poder Judiciário. Na tarde de quinta-feira (16), o homem foi preso pela Polícia Civil e interrogado. Após a prisão, o Jornal Midiamax obteve acesso às imagens de câmeras de segurança que flagraram o técnico dando tapas na vítima. O adolescente estava em uma cadeira de rodas e foi colocado de cabeça para baixo.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)








