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Justiça revoga prisão de servidor de Dourados preso na Operação Gutenberg

Outros dois investigados que foram presos conseguiram domiciliar, mediante uso de tornozeleira
Gabriel Maymone -
Gutenberg: Justiça mantém prisões de investigados por desvios de R$ 27 milhões
Presos na Operação Gutenberg durante audiência de custódia. (Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

A Justiça revogou a prisão do servidor público municipal de Geancarlo Leal de Freitas, preso no dia 7 de julho pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), durante a Operação Gutenberg, que revelou esquema de desvio de R$ 27 milhões com compra de livros em 17 prefeituras de Mato Grosso do Sul.

O advogado que representa Geancarlo, Tiago Bunning, emitiu nota.

Confira na íntegra:

Esclarecemos os fatos ao GAECO e o próprio Ministério Público proferiu Parecer favorável ao nosso pedido. Gencarlo não praticou nenhum crime. Ele foi preso apenas por ser servidor público municipal em Dourados/MS. O cargo ocupado por ele é de fiscal de obras particulares, não tem nenhuma relação com os fatos investigados. Geancarlo é servidor há 26 anos, nunca foi investigado ou processado. Não conhece nenhum dos investigados e nem as empresas investigadas. Por isso sua prisão foi revogada.”

Além de Geancarlo, o empresário Joatan Gomes Peixoto e Jéssyca Duarte Burgatt deixaram a prisão. No entanto, os dois últimos foram para prisão domiciliar, mediante uso de tornozeleira.

Veja a lista atualizada de presos na operação:

  • Rossana Paroschi Jafar – dentista e dona de gráfica;
  • Olívia Paroschi Jafar – médica e dona da Clínica Ross, que também foi alvo;
  • Felipe Paroschi Jafar – ex-comissionado na Agesul;
  • Giovanni Paroschi Jafar – empresário;
  • Rhayane Souza Fanaia – ‘laranja’ do clã Jafar e ex-esposa de Giovanni;
  • Ed Carlo Britto Burgatt – ex-chefe da regulação de saúde do Estado (Core);
  • Jéssyca Duarte Burgatt – filha de Ed e dona da Capital Saúde (prisão domiciliar);
  • Joatan Gomes Peixoto – empresário (prisão domiciliar);
  • Matheus Oliveira Peixoto – empresário;
  • Francisco Anízio dos Santos – empresário;
  • Douglas Henrique de Melo – empresário;
  • Paulo Rogério de Melo – empresário e pai de Douglas;
  • Gabriel Taquino de Paula – advogado;
  • Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior, o Junior Vasconcelos – ex-prefeito de Fátima do Sul e escrivão da Polícia Civil.
  • Geancarlo Leal de Freitas – advogado e servidor público (prisão revogada).

Apenas o empresário Heyder Bartz continua foragido.

Dourados pagou quase R$ 8 milhões à Editora Avante

Conforme a investigação, a Prefeitura Municipal de Dourados fez três pagamentos para a Editora Avante: dois de R$ 2,1 milhões e um de R$ 3,7 milhões, que foram diluídos nos dias posteriores ao recebimento — função de Rhayane Souza Fanaia, sob as ordens de Rossana Paroschi Jafar.

Cleany já havia recebido, em outubro de 2022, duas transferências, no total de R$ 53,5 mil, da editora. Entre as pessoas que receberam valores desse montante, estão Olívia Paroschi Jafar, Gabriel Taquino de Paula e Joatan Gomes Peixoto, segundo o Gaeco.

Ao Jornal Midiamax, a Prefeitura de Dourados afirmou que o contrato foi firmado pela antiga gestão, do ex-prefeito Alan Guedes (PP).

“A atual gestão, do prefeito Marçal Filho, não fez qualquer compra de livro paradidático, não firmou qualquer contrato com a empresa investigada e está colaborando com o Gaeco, repassando todas as documentações solicitadas pelo Ministério Público”, diz a nota.

Desvios de R$ 27 milhões

Grupo criminoso acusado de desviar R$ 27 milhões em recursos públicos utilizava-se da estrutura da saúde pública para forçar a venda de livros em Mato Grosso do Sul. Os envolvidos foram alvo da Operação Gutenberg.

Conforme o Gaeco, empresários cooptavam servidores por meio do pagamento de propina para condicionar a liberação de serviços de saúde, como a realização de exames médicos e até a disponibilização de leitos em hospitais, para obrigar gestores locais a comprarem o material impresso das empresas do grupo.

Para os investigadores, o modus operandi era um verdadeiro “balcão de negócios” na estrutura da saúde, em que os integrantes do grupo usavam a liberação de exames como ‘moeda de troca’. O objetivo do esquema era obrigar o Poder Público a adquirir esses livros impressos.

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(Revisão: Dáfini Lisboa)

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