Um ônibus da linha 081 do Consórcio Guaicurus ‘quebrou’ na Av. Cônsul Assaf Trad no início da tarde desta terça-feira (16), em Campo Grande. Passageiros precisaram desembarcar em frente ao Cemitério São Sebastião, conhecido como Cruzeiro.
Uma passageira relatou que o ônibus estava cheio quando o problema mecânico aconteceu. Diante disso, os usuários do transporte precisaram aguardar o envio de outro veículo para que pudessem seguir viagem.
A estudante Danielli Vitória estava no veículo e registrou a situação. Ao Jornal Midiamax, ela contou que nunca tinha passado por algo assim; no entanto, lidar com atrasos do transporte coletivo é algo constante na rotina dela.
“Quando eu vou para a faculdade de manhã, é horrível de pegar ônibus nos terminais. Direto atrasa e, principalmente pelo horário, o ônibus chega a ir lotado. Tem gente que ainda arrisca em entrar no ônibus, mas acaba ficando prensado na porta”, relata a jovem.
Na manhã desta segunda-feira (15), o mesmo aconteceu com outro ônibus do Consórcio Guaicurus. O veículo estragou na Avenida Júlio de Castilho, gerando confusão no trânsito.
O problema mecânico deixou o veículo parado na via, logo após o cruzamento com a Avenida Duque de Caxias, depois da Praça da Cabeça de Boi.
Prefeitura decretou intervenção no Consórcio
Na manhã desta terça (16) a Prefeitura de Campo Grande decretou intervenção no contrato com o Consórcio Guaicurus.
Após a comissão especial da Prefeitura recomendar a intervenção e ‘fechar o cerco’ ao contrato de concessão do transporte coletivo na semana passada, a prefeita Adriane Lopes decidiu pela auditoria completa e detalhada da concessão.
Em setembro de 2025, a Câmara Municipal concluiu a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte recomendando a intervenção. Uma ação popular foi protocolada em 26 de novembro de 2025, pedindo a intervenção imediata.
No dia 17 de dezembro, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, determinou que a Prefeitura decretasse a medida em 30 dias.
A Prefeitura contestou a decisão, alegando que deveria haver uma etapa de apuração antes da intervenção. O magistrado concordou e, em 6 de março de 2026, a Prefeitura criou um grupo de trabalho para avaliar a situação do Consórcio Guaicurus.
Três meses depois, em 8 de junho de 2026, a comissão recomendou a intervenção. Oito dias depois, a prefeita Adriane Lopes decretou o afastamento da diretoria do Consórcio e nomeou uma junta interventora vinculada ao município para operar diretamente o serviço e apurar as irregularidades apontadas pelo grupo de trabalho.
A equipe de intervenção será presidida por Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira e terá como membros Rodolfo Bahiense Fernandes (administrativo-financeiro), Alexandre Souza Moreira (jurídico) e Robson Tadeu Pereira (operacional).
Agora, durante o período de 180 dias (6 meses) de intervenção, a atual cúpula do Consórcio Guaicurus perde temporariamente os poderes de gestão da concessão, podendo apenas acompanhar o processo.
O que os interventores poderão fazer?
A equipe irá administrar a concessão durante o período de intervenção e poderá praticar atos como:
- Assumir a gestão administrativa, jurídica, operacional e financeira da concessão;
- Nomear equipe técnica de apoio e expedir ordens de serviço;
- Requisitar registros contábeis, ter acesso aos bens vinculados à prestação do serviço, como garagens, oficinas e terminais;
- Determinar auditorias e inspeções, adotar medidas urgentes para garantir a continuidade dos serviços;
- Rever procedimentos operacionais e de manutenção da frota; e
- Apresentar plano de ação para sanar as irregularidades identificadas.
Os interventores receberão salário baseado na remuneração dos executivos do Consórcio Guaicurus.
O decreto prevê ainda que tanto a diretoria como funcionários, empregados e prepostos do Consórcio Guaicurus devem prestar integral colaboração aos interventores, devendo fornecer acesso a todos os sistemas e documentos necessários.
Outra cláusula do decreto garante que a intervenção não importará transferência da propriedade dos bens da concessionária nem afastará as responsabilidades legais e contratuais de seus administradores e representantes.
E depois?
Após os primeiros 90 dias de trabalho, a equipe deverá elaborar relatório preliminar e, ao fim dos 180 dias, expedir outra conclusão com as recomendações.
A decisão final caberá à prefeita Adriane Lopes, com base no que foi auditado pelos interventores.
Um dos caminhos é a declaração da caducidade do contrato ou até mesmo a extinção da concessão. Porém, a Prefeitura poderá devolver a concessão ao Consórcio Guaicurus com condicionantes e aplicações de sanções contratuais cabíveis.
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(Revisão: Nichole Munaro)








